Em entrevista ao jornal O GLOBO, o comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do Ar, Marcelo Kanitz Damasceno, defendeu uma “investigação completa sobre militares suspeitos de participarem de uma tentativa de golpe no país”, e falou também, dentre outros assuntos, sobre a Base de Alcântara.
Mas as notícias não são boas.

“Como estão as negociações para ampliar a base de lançamentos de Alcântara, no Maranhão”? perguntaram os jornalistas Manoel Ventura e Geralda Doca, que entrevistaram Kanitz.

Foto – Lula Marques: Agência Brasil

“Não houve entendimento com os representantes da comunidade quilombola (que moram próximo à área), na última reunião. Mas precisamos continuar negociando”, disse Kanitz, dando, em seguinte, uma notícia preocupante.
“Já estamos analisando a criação de outros centros menores de lançamento (de foguetes) para levar equipamentos e fazer lançamentos. Espero que até o meio do ano a gente tenha concluído um estudo para apresentar o local. Não podemos abandonar o nosso programa espacial brasileiro. Temos um trabalho de anos que carece de investimentos”, completou o Tenente-Brigadeiro.

“Vamos resolver”, diz Brandão – Ciente da declaração de Kanitz, o governador Carlos Brandão, em contato com o secretário José Reinaldo Tavares (Desenvolvimento e Programas Estratégicos), disse que vai agir para resolver essa situação. Segundo informou José Reinaldo, Brandão vai agendar uma audiência com o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, para tratar desse assunto.

“O Maranhão precisa se unir para que isso não aconteça. Lutamos muito para concretizar esse projeto e não podemos permitir que o governo federal procure outras alternativas quando aqui no Maranhão temos as melhores condições para lançamentos de foguetes”, disse José Reinaldo.

8 de janeiro – Diante da investigação da Polícia Federal sobre militares suspeitos de participarem nos atos de vandalismo de 8 de janeiro, Marcelo Kanitz Damasceno defendeu uma “investigação completa” e garantiu que, caso seja comprovada a participação de integrantes de sua tropa, haverá punição. “Qualquer coisa que fira nossos diplomas disciplinares será punida”, disse o oficial ao GLOBO, na entrevista em que mostra alinhamento ao presidente Lula.

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Como o senhor avalia as investigações da PF sobre uma suposta trama golpista no governo Bolsonaro?

O Comando da Aeronáutica coaduna com a necessidade de uma investigação completa, garantindo a ampla defesa e o contraditório a todos os envolvidos, seguindo o necessário rito processual previsto no ordenamento jurídico vigente. Qualquer coisa que fira nossos diplomas disciplinares será punida. Para a Força Aérea, as notícias (sobre as investigações) vieram a confirmar o papel institucional e constitucional de nossa organização.

O senhor tomou conhecimento de reunião, no governo anterior, para discutir atos antidemocráticos?

Não tivemos informação nenhuma a respeito disso. Não sabia do que acontecia dentro do Palácio. A Força Aérea foi profissional, focada na sua missão. Nessa mesa aqui (do Alto Comando) não se falava de política. A nossa posição foi de isenção em relação ao governo Bolsonaro. Tivemos uma visão de Estado e devemos isso às posições de nossos ex-comandantes. Mas não dá para fugir da relação com o governo.

Houve participação de militares da FAB da ativa nos ataques de 8 de janeiro?

Não que eu tenha conhecimento. Se corre alguma coisa na Justiça, ainda não fomos informados.

Como está a relação da Força com o presidente Lula?

A minha relação com o presidente sempre foi muito urbana. Ele tem uma grande preocupação com o reaparelhamento das Forças Armadas e, por exemplo, uma vontade muito grande de que a gente desenvolva uma turbina (de aeronaves). Poucos países do mundo fazem isso. Lula é apaixonado por essa agenda de Defesa. A relação dos comandantes é cordial e profissional com o presidente e com o ministro da Defesa (Jose Múcio), que tem sido uma peça importante no atual cenário.

Ainda há desconfiança de ambos os lados?

Aqui nessa mesa (do Estado-Maior da Aeronáutica) somos dez (brigadeiros) quatro estrelas. Internamente, estamos muito focados em defesa aérea e preparação para guerra. Não temos desconfiança de nada. Há uma grande confiança entre os dez do Alto Comando. Temos que trabalhar em apoio ao governo. Não tive nenhum movimento dentro da Força em que tivesse que tomar medida disciplinar por conta do momento político. Não podemos nos envolver diretamente com a política, mas temos que apoiar a política do momento. Não podemos deixar de ser felizes por quatro anos, esperando que o candidato A ou B se reeleja ou se eleja. A nossa atividade independe de governo. Somos força de Estado.

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