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O destino das cinco pessoas estará eternamente atrelado ao mais celebrado e triste navio da história
VETERANO - O ex-oficial Nargeolet: 37 visitas ao abismo (Joel Saget/AFP)

Mais de um século depois de naufragar nas águas geladas do Atlântico Norte, em 15 de abril de 1912, ao trombar com um iceberg, o Titanic continua a exercer fascínio e alimentar dramas. O mais recente produto dessa combinação infeliz envolveu o desaparecimento de um submersível que visitaria os destroços do transatlântico, depositados no leito do mar ao sul de Newfoundland, no Canadá
O Titan, embarcação da empresa OceanGate Expeditions, pouco maior que uma van média, de 7 metros de comprimento, mergulhou às 6 horas da manhã de domingo 18 para iniciar uma incursão ao cobiçado abismo.
No bojo da nave estavam cinco pessoas: um empresário e explorador britânico; um ex-oficial da Marinha francesa; pai e filho de uma abastada família paquistanesa; e o fundador da empresa operadora. Quase duas horas depois, o veículo de fibra de carbono sumiu do painel de controle do quebra-gelo de pesquisas da canadense Polar Prince, que fazia o serviço de apoio na superfície. Restava aos tripulantes uma reserva de oxigênio para 96 horas. Numa luta contra o tempo, as buscas, capitaneadas pelas guardas-costeiras americana e canadense, começaram no mesmo dia. Na tarde de quinta 22, as equipes de resgate tinham avistado destroços de metal que seriam do Titan, fruto de uma implosão. Não demorou para que os responsáveis pela aventura lamentassem as vidas perdidas.
NO FUNDO DO MAR - A proa do navio, afundado em 1912, depois de colidir com um iceberg: os vestígios se deterioram (OceanGate Expeditions/.)

Na tarde de quinta 22, as equipes de resgate tinham avistado destroços de metal que seriam do Titan, fruto de uma implosão. Não demorou para que os responsáveis pela aventura lamentassem as vidas perdidas.
O que torna o fascínio pelo Titanic uma obsessão mortal? O cineasta James Cameron, diretor do megablock­bus­ter Titanic, de 1997, tem a resposta.

Numa entrevista à revista Playboy americana, em 2009, ele disse ter feito o filme com Leonardo DiCaprio e Kate Winslet apenas porque queria poder se aproximar dos destroços. “O Titanic era o Monte Everest dos naufrágios e, como mergulhador, queria fazer isso direito”, exagerou. Tomou gosto pela coisa e, desde então, desceu 33 vezes até a lataria submergida. O magnetismo que atraiu Cameron é o mesmo da tripulação que, agora, buscava chegar lá.

O bilionário aventureiro britânico Hamish Harding, de 58 anos, era dono de três recordes mundiais reconhecido pelo Guinness, incluindo o de maior duração nas profundezas de um oceano numa embarcação tripulada.
O ex-­oficial francês Paul-­Henri Nargeolet, de 77 anos, voltou a desembolsar 250 000 dólares para ter o gosto de voltar a viver a experiência pela 38ª vez desde 1987, o que o tornou um dos grandes especialistas na inglória aventura do gigante perdido.

Os paquistaneses Shahzada Dawood, 48 anos, e seu filho Suleman, 19 anos, pertenciam a uma das famílias mais proeminentes do Paquistão, que investe na agricultura, indústrias e setor de saúde.

O pai também fazia parte do conselho de administração do Instituto Seti, com sede na Califórnia, que busca inteligência extraterrestre.
Por fim, o piloto, Stockton Rush, de 61 anos, era CEO da OceanGate, a empresa privada com sede em Washington que começou a fazer essas expedições em 2021 sob a justificativa de registrar a lenta deterioração dos vestígios.

Os passageiros do Titan, por interesse profissional ou por curiosidade desmedida, como a dos paquistaneses, estavam de alguma forma ligados ao fenômeno Titanic, uma espécie de sereia moldada em ferro e madeira retorcidos que jaz no fundo do mar. O destino dessas pessoas estará eternamente atrelado ao mais celebrado e triste navio da história.

PROMESSA - O Titanic, ao zarpar: à prova de naufrágio? (Albert Harlingue/Getty Images)

Há várias possibilidades para o que pode ter acontecido com o Titan: falta de energia, incêndio, inundação e emaranhamento da nave em objetos ou acidentes geográficos.
Como não há ligação física entre a embarcação e o navio de apoio, o único meio de comunicação e detecção seria por meio da água.

“Nesse caso, há bloqueio da propagação das ondas eletromagnéticas muito rapidamente”, diz o professor de engenharia naval Eric Fusil, da Universidade de Adelaide, na Austrália. “Nenhum radar, GPS, holofotes ou feixes de laser teriam real utilidade”. A tragédia, infelizmente, se repetiu. (Alessandro Giannini – VEJA)

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