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O GSI, então comandado por G. Dias, colocou selo de sigilo em relatório que indicava ‘deslocamento para Brasília’ de manifestantes com ‘intenção manifesta de invadir o Congresso Nacional’.

Imagens do circuito interno de segurança mostram o General Dias no saguão presidencial, às 19h45 de 8 de janeiro. — Foto: Reprodução

O Sistema Brasileiro de Inteligência difundiu às 19h30 da sexta-feira, dia 6 de janeiro, um relatório informado que “a perspectiva de adesão às manifestações contra o resultado das eleições, convocada para os dias 7, 8 e 9 de janeiro de 2023 continua baixo, contudo há risco de ações violentas contra edifícios públicos e autoridades. Destaca-se a convocação por parte de organizadores de caravana para o deslocamento para Brasília de manifestantes com acesso a armas e a intenção manifesta de invadir o Congresso Nacional. Outros edifícios na Esplanada dos Ministérios poderiam ser alvo de ações violentas”.

O relatório com a informação está no cofre da Comissão de Controle das Atividades de Inteligência do Congresso Nacional e desmente o depoimento que o ex-chefe do GSI, general G. Dias deu na última sexta-feira à Polícia Federal sobre a suposta omissão na tentativa de golpe bolsonarista de 8 de janeiro

Em sua defesa, o militar alegou “não ter conhecimento de ações radicais que ocorreriam em Brasília”. Quando indagado se não sabia da chegada de manifestantes à capital, defendeu-se dizendo não ter recebido “nenhum relatório de inteligência”. O que está no cofre da comissão do Congresso com o selo de reservado, portanto com sigilo decretado pelo próprio GSI do general Dias, é um relatório oficial que foi difundido na noite de sexta-feira para 48 órgãos governamentais, entre eles, Exército, Polícia Federal, Ministério da Justiça e o próprio GSI.  Ou seja, 48 horas antes da tentativa de golpe se concretizar.

O senador Esperidião Amin (PP-SC) está solicitando o levantamento de sigilo do relatório que prova não ter havido apagão de inteligência, como afirma o general. Mas, sim, apagão de atitude. Esperidião era o presidente da Comissão de Controle de Atividades de Inteligência na época da tentativa de golpe bolsonarista. Foi ele quem requisitou, logo no dia seguinte à depredação dos prédios públicos ao GSI, todas as informações que circularam no Sistema Brasileiro de Inteligência entre os dias 2 e 8 de janeiro. “Ninguém é obrigado a ler o que lhe é enviado, mas não pode dizer que não recebeu”, ironizou Amin.
Com o blog mostrou ontem, o WhatsApp foi escolhido como meio para troca mais urgente de mensagens entre os integrantes das áreas de inteligência. O general G.Dias desqualificou os informes, alegando que, “tecnicamente eles não podem ser considerados relatório de inteligência para produção de conhecimento para assessorar a decisão do gestor”. No entanto, o Sistema Brasileiro de Inteligência foi alimentado por WhasApp instantaneamente por relatórios anteriores ao período crítico. (Blog do Octávio Guedes – G1).

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