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Os Estados Unidos e o Irã anunciaram neste domingo (14) a celebração de um acordo de paz que prevê o encerramento imediato das operações militares entre os dois países, após meses de confrontos e escalada das tensões no Oriente Médio.

A informação foi confirmada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif.

Em publicação na rede social X, Sharif afirmou que ambas as partes concordaram com um cessar-fogo permanente em todas as frentes de combate, incluindo o território libanês.

“Ambos os lados declararam o encerramento imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo no Líbano”, escreveu o premiê paquistanês.

Segundo Sharif, a cerimônia oficial de assinatura do tratado está prevista para ocorrer em 19 de junho, na Suíça. Trump também confirmou o entendimento por meio de uma publicação na Truth Social.

“O acordo com a República Islâmica do Irã está agora concluído. Parabéns a todos!”, declarou o presidente norte-americano.

Na mesma mensagem, Trump anunciou a liberação da navegação marítima na região do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo.

O presidente determinou o fim das restrições impostas pelos Estados Unidos e incentivou a retomada do fluxo global de combustíveis.

“Autorizo a remoção imediata do bloqueio naval dos Estados Unidos. Navios do mundo, liguem seus motores. Deixem o petróleo fluir!”, afirmou.

A agência estatal iraniana IRNA também divulgou informações sobre o acordo, reproduzindo declarações de Trump e de Sharif.

Já o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, informou à televisão estatal iraniana que o cessar-fogo deverá entrar em vigor ainda nesta noite.

Segundo o diplomata, as negociações para um acordo definitivo deverão se estender pelos próximos 60 dias e abordar temas como a flexibilização das sanções impostas ao Irã, mecanismos de reconstrução econômica e instrumentos de monitoramento para garantir o cumprimento dos compromissos assumidos.

Gharibabadi ressaltou ainda que Teerã responderá caso haja qualquer violação dos termos acordados.

DETALHES DO ACORDO

Embora o texto oficial ainda não tenha sido divulgado, veículos de comunicação dos Estados Unidos e do Irã publicaram informações atribuídas a fontes dos dois governos.

De acordo com a CNN Internacional, o memorando de entendimento prevê um novo cessar-fogo de 60 dias em todas as frentes de conflito, a reabertura imediata do Estreito de Ormuz, a normalização do tráfego marítimo em até 30 dias, a retirada do bloqueio naval norte-americano e a flexibilização gradual das sanções contra o Irã.

O acordo também incluiria o compromisso iraniano de não desenvolver armas nucleares.

Já fontes do governo dos Estados Unidos ouvidas pela Reuters afirmam que o entendimento prevê a reabertura do estreito, o desmantelamento do programa nuclear iraniano e a manutenção do congelamento de ativos iranianos até que Teerã cumpra integralmente sua parte no acordo.

Por outro lado, a imprensa estatal iraniana sustenta que o país não abrirá mão do controle do Estreito de Ormuz nem do direito de enriquecer urânio.

Segundo a agência Mehr, o memorando contempla a suspensão das sanções norte-americanas, a retirada de forças militares dos EUA da região próxima ao território iraniano, o fim do bloqueio naval e a interrupção das hostilidades em todas as frentes do conflito.

DIVERGÊNCIAS SOBRE A ASSINATURA

Apesar do anúncio de Trump de que a assinatura ocorreria neste domingo, representantes iranianos demonstraram cautela quanto ao cronograma.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou que ainda não há data confirmada para a formalização do memorando de entendimento.

“Teremos que esperar para ver a data exata da assinatura do memorando de entendimento”, declarou.

Baghaei não descartou que a assinatura ocorra nos próximos dias, possivelmente em Islamabad, capital do Paquistão, mas ressaltou que qualquer previsão deve ser tratada com prudência.

Enquanto isso, Shehbaz Sharif informou que o governo paquistanês trabalha com a expectativa de uma assinatura eletrônica nas próximas 24 horas, seguida por negociações técnicas ao longo das semanas seguintes.

O premiê também agradeceu aos governos dos Estados Unidos e do Irã pelo comprometimento durante as negociações.

“Estamos confiantes de que este acordo histórico formará uma base sólida para uma paz duradoura”, afirmou.

CAMINHO ATÉ O ACORDO

Os sinais de aproximação entre Washington e Teerã ganharam força após Donald Trump anunciar, na quinta-feira (11), que negociadores dos dois países haviam alcançado consenso sobre pontos considerados fundamentais para um entendimento.

Na ocasião, Trump chegou a afirmar que o memorando já contava com a aprovação das autoridades iranianas, incluindo o líder supremo do país. Pouco depois, no entanto, autoridades de Teerã negaram que qualquer documento tivesse sido oficialmente aprovado.

Mesmo diante das divergências, o tom das declarações foi se tornando mais otimista. O chanceler iraniano Abbas Araqchi chegou a afirmar que um acordo de paz “nunca esteve tão próximo”.

ESCALADA MILITAR PRECEDEU ENTENDIMENTO

As negociações avançaram após uma nova onda de confrontos entre os dois países na região do Golfo Pérsico.

A escalada começou após a queda de um helicóptero militar norte-americano durante operações próximas ao Estreito de Ormuz. Washington acusou o Irã de envolvimento no incidente e realizou ataques contra sistemas de defesa e radares iranianos.

Teerã respondeu atingindo uma base militar dos Estados Unidos no Bahrein e lançando novos ataques contra instalações ligadas aos interesses norte-americanos na região.

Em meio à crise, o Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz e afirmou que a continuidade dos confrontos tornava inviável qualquer tentativa de manutenção do cessar-fogo existente.

Agora, com o anúncio do acordo, os governos envolvidos esperam iniciar uma nova etapa de negociações diplomáticas e reduzir as tensões que marcaram os últimos meses no Oriente Médio.



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