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O Democracia Cristã (DC) oficializou neste sábado, 16, o nome do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa como pré-candidato à Presidência da República nas eleições de 2026. A decisão, anunciada pela direção nacional da legenda, consolidou o racha interno que já vinha se desenhando nos bastidores do partido nas últimas semanas.

Aldo Rebelo e Joaquim Barbosa

A escolha de Barbosa foi confirmada por meio de uma nota assinada pelo presidente nacional do DC, João Caldas, que fez um apelo pela unidade da sigla em torno do novo projeto eleitoral. No comunicado, o dirigente afirmou que “o momento exige união, propósito e desprendimento” e destacou que “o Brasil está acima de projetos pessoais”, em uma referência direta à ala que ainda defendia a manutenção da pré-candidatura do ex-ministro Aldo Rebelo.

A movimentação da cúpula partidária já vinha sendo articulada desde os primeiros meses do ano, diante da dificuldade de crescimento de Aldo Rebelo nas pesquisas e da avaliação interna de que o nome de Joaquim Barbosa teria maior potencial eleitoral. Segundo integrantes da legenda, levantamentos qualitativos apontaram identificação positiva do eleitorado com temas ligados à ética na política e à defesa de reformas no Judiciário, bandeiras que devem nortear o discurso da pré-campanha.

Entre as propostas discutidas pelo grupo ligado a Barbosa estão mudanças nas regras de conduta de ministros do STF, ampliação de mecanismos de fiscalização e medidas voltadas à reforma institucional do sistema judiciário brasileiro.

A oficialização, porém, expôs publicamente o conflito interno no partido. Antes mesmo do anúncio, lideranças estaduais já demonstravam resistência à entrada do ex-ministro na disputa presidencial. O principal foco de oposição partiu de São Paulo, onde o presidente do diretório estadual da legenda, o ex-deputado Cândido Vaccarezza, classificou Joaquim Barbosa como “inapoiável” e declarou que trabalharia contra a candidatura dentro da própria estrutura partidária.

A reação provocou uma resposta imediata da direção nacional. João Caldas afirmou que qualquer integrante que atuasse contra a decisão oficial do partido poderia ser expulso “sumariamente”, elevando ainda mais a tensão entre os grupos internos.

No decorrer do dia, Aldo Rebelo chegou a divulgar uma nota reafirmando sua intenção de permanecer na corrida presidencial, mesmo após a decisão da executiva nacional do DC. A manifestação aumentou as incertezas sobre o futuro político do ex-ministro dentro da legenda e alimentou especulações sobre uma possível saída ou migração para outro partido.

A entrada de Joaquim Barbosa na disputa presidencial recoloca o ex-presidente do STF no centro do debate político nacional após anos afastado da vida partidária. Ex-relator do processo do mensalão e uma das figuras mais conhecidas do Judiciário brasileiro nas últimas décadas, Barbosa passa a ser tratado pelo DC como aposta para atrair eleitores insatisfeitos com a polarização política e com o atual funcionamento das instituições.



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