Às vésperas de uma nova tentativa de encerrar o conflito, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adotou um discurso mais duro contra o Irã e indicou que poderá haver resposta militar caso as negociações fracassem. Ao mesmo tempo, autoridades iranianas estabeleceram condições para que o diálogo avance.

As conversas entre representantes dos dois países estão previstas para começar neste sábado (11), em Islamabad, sob mediação do Paquistão. O encontro ocorre em meio a um cessar-fogo considerado instável, que, segundo Teerã, já teria sido descumprido por adversários, entre eles Israel.
Em declarações recentes, Trump afirmou que o Irã não possui força real de negociação e acusou o país de utilizar rotas marítimas internacionais como forma de pressão.
Ele também disse que as forças armadas norte-americanas estão sendo preparadas com armamentos avançados, que poderiam ser utilizados caso não haja acordo. O presidente ainda criticou o governo iraniano, afirmando que há inconsistências entre o que o país declara publicamente e o que negocia nos bastidores, especialmente sobre questões nucleares.
Do lado iraniano, o chanceler Abbas Araqchi declarou que o avanço das negociações depende do cumprimento de compromissos por parte dos Estados Unidos. Entre as exigências estão a inclusão do Líbano no acordo de cessar-fogo e a interrupção de ataques atribuídos a Israel.
A imprensa iraniana também divulgou que as conversas podem não acontecer caso essas condições não sejam atendidas. Outro ponto levantado por autoridades do país é a necessidade de liberação de recursos financeiros iranianos que estão bloqueados no exterior.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, reforçou que tanto o cessar-fogo no Líbano quanto o desbloqueio desses ativos são etapas essenciais antes do início formal das tratativas.
Apesar do clima de tensão, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, demonstrou cauteloso otimismo. Ele afirmou que Washington está disposto a negociar e espera reciprocidade por parte do Irã, mas alertou que não haverá tolerância caso haja tentativa de enganar os negociadores.
A delegação norte-americana contará ainda com o enviado especial para o Oriente Médio, Steve Witkoff, e o conselheiro Jared Kushner. Já o Irã será representado por Araqchi e Ghalibaf.
As reuniões devem ocorrer em um hotel de alto padrão na capital paquistanesa e representam mais uma tentativa de encerrar o conflito. No entanto, divergências sobre o cessar-fogo e as condições prévias impostas por Teerã indicam que o caminho para um acordo definitivo ainda enfrenta obstáculos.
