
Thâmara Castro
Jornalista
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Quando um vice governador pode tentar inverter os papéis…
Há um movimento clássico na política: quando o fato incomoda, ataca-se quem teve coragem de publicar.
O vice-governador do Maranhão decidiu seguir esse roteiro. Foi às redes sociais acusar jornalistas de crime, tentando transformar informação em delito e mensageiro em culpado.
Mas isso não se sustenta.
Jornalista não vaza. Jornalista publica!
E publica aquilo que já existe, que já circula, que já está no ambiente institucional — gostem ou não.
O que incomoda não é o suposto “vazamento”. É o conteúdo.
E mais: não são jornalistas que estão tensionando esse cenário. O próprio ambiente político caminha para apuração.
CPI não nasce de reportagem. Nasce de fato.
E quando o fato ganha força, começa o teatro: desviar o foco, criar inimigo, tentar intimidar. Nada novo…
O que chama atenção, na verdade, é o comportamento.
Há uma recorrência em ir às redes sociais com posturas pouco compatíveis com a responsabilidade do cargo. Reações impulsivas, exposição desnecessária, tentativas de resolver tensão institucional como se fosse discussão de internet.
Internamente — e sem qualquer esforço de ocultar a percepção — esta jornalista que escreve costuma se referir a esse tipo de conduta como a de um “menino prodígio”: alguém que chegou cedo demais a um lugar grande demais, e que ainda confunde visibilidade com maturidade.
Talvez esteja aí uma das respostas.
Nem tudo se publica. Nem tudo se resolve com intimidação. E definitivamente nem tudo se sustenta na base do impulso. Nem tudo se leva pro lado pessoal. Nem tudo se “vende” nas redes sociais.
E quando se tenta reduzir tudo a “fofoca”, convém colocar as palavras nos seus devidos lugares: fofoca é uma coisa, digamos que até trivial, difamação é outra.
E quando há prática reiterada de insinuação, de ataque indireto, de exposição de terceiros/jornalistas — especialmente em ambientes públicos — isso deixa de ser trivial. Vira padrão. Nesse caso, virou. E padrão não nasce do acaso. É aprendido.
Alguns aprendem a operar no ruído, na provocação, na tentativa de desqualificar. Outros aprendem a sustentar o que dizem com responsabilidade.
Há também pontos que, embora conhecidos em determinados círculos, são tratados com o cuidado que o jornalismo sério exige. Relatos envolvendo condutas inadequadas, inclusive com uso indevido de proximidade com estruturas de poder, especialmente no trato com mulheres, não são assunto para bravata — são temas que exigem responsabilidade, apuração e, sobretudo, respeito.
E isso também não pode ser normalizado.
Este texto não é ataque. É posicionamento. Não se esconde. Não insinua sem base. Mas também não se curva.
E deixa uma linha muito clara: quem ocupa cargo público precisa lidar com crítica, com imprensa e com investigação — sem tentar inverter papéis.
Porque quando o poder tenta transformar quem informa em problema, na verdade está apenas confirmando o incômodo com o que foi revelado. E isso diz mais do que qualquer postagem.
Enquanto o Maranhão discute fatos sérios e desdobramentos institucionais, o vice-governador prefere o caminho mais fácil: atacar quem noticia. A estratégia é velha. Quando o conteúdo incomoda, tenta-se desqualificar o mensageiro. Mas não são jornalistas que estão levando o caso adiante — é o próprio cenário político que caminha para apuração, inclusive com articulações para instalação de uma CPI que pretende esclarecer pontos sensíveis envolvendo sua atuação.
E isso, convenhamos, explica muita coisa.
Há uma diferença entre quem enfrenta fatos e quem tenta abafá-los com barulho.
Mais uma vez, o problema não é a imprensa. É o que está sendo revelado.
E no meio disso tudo, fica cada vez mais evidente um desalinhamento entre o tamanho do cargo e a postura adotada.
O Maranhão precisa de firmeza, equilíbrio e responsabilidade institucional.
Não de reações impulsivas em redes sociais.
Há quem ainda alimente o sonho de chegar ao governo.
Mas sonho político não se sustenta apenas com visibilidade — exige maturidade, postura e credibilidade. Do jeito que está, corre o risco de se tornar aquilo que a política mais rejeita:
uma promessa que nunca se concretiza.
E aqui é preciso dizer com clareza: liderança não se impõe. É reconhecida.
E hoje, fora de um núcleo restrito de aliados e militância, o que se vê é um distanciamento real entre essa pretensão e o sentimento das ruas.
O Maranhão é maior do que projetos pessoais. E, principalmente, as mulheres deste estado — que trabalham, sustentam, lideram e enfrentam a realidade todos os dias — não esperam espetáculo.
Esperam respeito, seriedade e exemplo.
Política não é palco para ruído, insinuação ou ataques.
E quando esse tipo de comportamento se torna recorrente, a percepção pública é inevitável: falta postura para algo maior.
Governar exige preparo. Exige saber a hora de falar — e, principalmente, a hora de silenciar.
Talvez fosse mais produtivo trocar o embate virtual pela contribuição técnica, pelo debate qualificado, pelo exercício do conhecimento que já demonstrou ter em sala de aula.
Porque há espaços onde isso é valorizado. Na política, não basta saber.
É preciso saber se portar. E isso, definitivamente, não se aprende em rede social.
Enquanto isso, continua-se com seu sonho de príncipe, um menino prodígio, alguém que chegou cedo demais, ou está atrasado?
Ouvi e aprendi que:
Um bom jornalista é aquele que sabe de tudo, mas nem tudo publica.
Preciso falar mais?
Aqui fica uma breve a reflexão pessoal com base na análise do comportamento e estratégia eleitoral adotados pela personalidade politica mais influente do momento: Lula “em sua a última dança”
Lula entra, muito provavelmente, em sua última disputa presidencial. E quem está nesse momento da carreira não joga para perder — escolhe cada aliado como quem escolhe o próprio destino político.
A pergunta é simples:
vai querer carregar ao seu lado nomes cercados por controvérsias, desgastes e questionamentos públicos?
Especialmente quando o debate envolve temas sensíveis como respeito às mulheres e condutas incompatíveis com o que se espera de quem ocupa cargo público?
Política é cálculo. E Lula sempre soube fazer conta.
Resta saber se, praticamente nessa última dança, ele vai somar com quem agrega — ou correr o risco de dividir com quem pesa.
Assinado: Thâmara Castro Silva
