O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, decidiu apostar todas as fichas na construção da candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Nos bastidores do partido, o dirigente já coordena ações de marketing e articulações políticas para apresentar o parlamentar como o principal nome do campo conservador na disputa pelo Palácio do Planalto.

A estratégia central passa por reposicionar a imagem de Flávio Bolsonaro perante o eleitorado. A ideia é apresentá-lo como uma versão mais moderada do ex-presidente Jair Bolsonaro, destacando diferenças de postura, especialmente em temas sensíveis como a pandemia. O senador deve ser divulgado como um político que adotou uma linha menos radical, numa tentativa de reduzir índices de rejeição e ampliar o alcance da candidatura.
Antes de avançar externamente, Valdemar trabalha para conter ruídos internos. Ele aposta em uma conversa direta entre Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), para pacificar o grupo e evitar desgastes públicos após a definição do nome de Flávio. A expectativa é que esse diálogo ajude a alinhar o discurso e demonstrar unidade no campo bolsonarista.
Tarcísio deve visitar Bolsonaro na prisão ainda nesta quinta-feira (29), após autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A visita ocorrerá no período das 11h às 13h, na unidade prisional conhecida como Papudinha.
No desenho eleitoral do PL, a campanha de Flávio deve contar com três nomes de peso para ampliar sua projeção nacional: o próprio Tarcísio de Freitas, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). A avaliação de Valdemar é de que o engajamento desses aliados será decisivo para fortalecer a candidatura.
Enquanto o partido avança com o projeto de Flávio, lideranças do Centrão avaliam que Tarcísio perdeu a oportunidade de se consolidar como alternativa presidencial. Na leitura desse grupo, o governador poderia ter se movimentado no momento da definição do candidato, mas preferiu não confrontar Jair Bolsonaro.
Aliados próximos afirmam que Tarcísio nunca considerou romper com o ex-presidente ou assumir o risco de ser visto como um traidor. Diante da consolidação do nome de Flávio, a possibilidade de mudança de cenário é considerada remota e dependeria de um recuo improvável de Bolsonaro ou de um fato novo até abril, prazo-limite para a desincompatibilização eleitoral.
Durante agenda em Sorocaba (SP), Tarcísio afirmou que enxerga a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro como fortalecida e descartou a possibilidade de desistência. Segundo ele, o senador ocupa um espaço político claro e carrega um sobrenome com forte apelo eleitoral.
O governador também reiterou que sua prioridade é a reeleição em São Paulo. Disse estar comprometido com o projeto estadual e destacou a necessidade de concluir entregas previstas para os próximos anos. Caso esse cenário se mantenha, a projeção de uma eventual candidatura presidencial de Tarcísio ficaria para 2030.
