O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, fez um apelo direto aos brasileiros durante um programa de televisão transmitido. Em português, o líder chavista pediu apoio ao seu governo em meio ao crescente clima de tensão com os Estados Unidos.

“A vitória nos pertence. Viva a unidade do povo do Brasil, viva a unidade com o povo venezuelano”, declarou Maduro, arriscando frases em “portunhol”.

Ele prosseguiu: “Povo do Brasil, às ruas para apoiar a Venezuela em sua luta pela paz e pela soberania. Eu falo para vocês toda a verdade: temos direito à paz com soberania. Que viva o Brasil”.

O pronunciamento ocorreu logo após Maduro agradecer ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Durante a transmissão, ele recebeu um boné de presente de integrantes do movimento.

TENSÃO COM OS ESTADOS UNIDOS

A manifestação pública do presidente venezuelano acontece em um momento de forte instabilidade.

Nas últimas semanas, os EUA intensificaram a presença militar nas proximidades da Venezuela, sob o argumento de ampliar a chamada “guerra às drogas”.

A administração Trump tem autorizado bombardeios a embarcações no Caribe e no Pacífico, alegando que elas seriam utilizadas para o tráfico internacional. O ataque mais recente ocorreu nesta quinta-feira (4), próximo à costa da Colômbia.

Washington também acusa Maduro de comandar o “Cartel de los Soles”, suposta organização criminosa ligada ao narcotráfico — acusação repetidamente negada pelo presidente venezuelano.

SEGURANÇA REFORÇADA

De acordo com reportagem do jornal “The New York Times”, Maduro adotou uma série de medidas para reforçar sua segurança pessoal diante do temor de um ataque de precisão ou de uma incursão de forças especiais norte-americanas.

Fontes ligadas ao governo venezuelano, que falaram sob anonimato por medo de represálias, relataram que o clima no entorno do mandatário é de cautela e grande preocupação. Segundo elas, desde setembro, Maduro passou a:

  • mudar com frequência o local onde dorme;
  • trocar regularmente de telefone celular;
  • ampliar a atuação de guarda-costas cubanos;
  • enviar mais oficiais cubanos de contraespionagem para atuar nas Forças Armadas venezuelanas.

Além disso, ele reduziu sua participação em eventos oficiais previamente agendados e diminuiu aparições ao vivo, privilegiando discursos espontâneos e mensagens gravadas.

As medidas teriam sido intensificadas após a concentração de navios de guerra dos Estados Unidos próximos ao território venezuelano e o aumento dos ataques a embarcações que, segundo Washington, fariam parte do esquema de narcotráfico.


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