Em meio à escalada militar no Caribe, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, fez um apelo direto aos Estados Unidos por diálogo e paz.

Durante um comício em Miranda, o líder chavista surpreendeu os apoiadores ao cantar “Imagine”, clássico de John Lennon, enquanto pedia coexistência pacífica entre os dois países.

Maduro entoou o trecho “imaginem todas as pessoas”, acompanhado por aplausos da multidão. “É o momento de acreditar na convivência e na esperança”, afirmou o presidente diante de autoridades e simpatizantes.

O gesto ocorre em um dos períodos de maior tensão recente entre Caracas e Washington.

Os Estados Unidos reforçaram sua presença militar no Caribe sob o argumento de combater o que o governo Trump classificou como “narcoterrorismo”.

A nova ofensiva, batizada de Operação Lança do Sul (Southern Spear), foi anunciada pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth — que o governo Trump passou a chamar oficialmente de “secretário de Guerra”.

A mobilização envolve o Comando Sul e uma força-tarefa dedicada a atacar organizações suspeitas de atuar no tráfico internacional de drogas.

Segundo dados divulgados por autoridades americanas, 20 ataques já foram realizados contra embarcações consideradas suspeitas, resultando em 80 mortes, principalmente na região caribenha.

Maduro criticou duramente a presença militar dos EUA e elevou o tom após Trinidad e Tobago confirmar exercícios conjuntos com tropas americanas a partir deste domingo (16).

Trump voltou a acusar o venezuelano de liderar redes internacionais de narcotráfico — alegações negadas repetidamente por Caracas.

Como resposta, o governo venezuelano anunciou mobilização militar em todo o país e acusou Washington de “fabricar uma guerra” para justificar uma intervenção e derrubar o governo chavista.

As declarações alimentaram rumores sobre a possibilidade de um ataque terrestre. Em entrevista à CBS, Trump manteve o clima de incerteza ao afirmar: “Não vou dizer o que vou fazer com a Venezuela.”

MAIOR PORTA-AVIÕES DO MUNDO

A tensão cresceu ainda mais neste domingo (16), quando a Marinha dos Estados Unidos confirmou a chegada do grupo de ataque do USS Gerald Ford — o maior porta-aviões do mundo — ao Mar do Caribe.

Segundo comunicado oficial, o comboio cruzou a Passagem Anegada, próximo às Ilhas Virgens Britânicas, na manhã de hoje.

O porta-aviões está acompanhado pelos destróieres USS Winston Churchill, USS Mahan e USS Bainbridge, além do apoio aéreo de jatos de ataque e de um bombardeiro estratégico B-52 Stratofortress, ampliando a demonstração de força americana na região.

A movimentação intensificou o clima de pressão sobre o governo Maduro e reacendeu temores sobre uma possível ação militar dos Estados Unidos contra a Venezuela.


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