O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, rebateu nesta terça-feira (4) as declarações do bilionário e cofundador da Microsoft, Bill Gates, sobre a gravidade das mudanças climáticas.

Durante a abertura do Bloomberg Green Summit, em São Paulo, Haddad afirmou que o Brasil possui “vantagens competitivas aderentes à pauta climática” e garantiu que o país seguirá investindo na transição energética.
“Independentemente do que o Bill Gates ache, o Brasil tem energia limpa e barata. Não faz sentido trocá-la por energia suja e cara”, disse o ministro.
RESPOSTA A CRÍTICAS DE GATES
As falas de Haddad respondem às afirmações recentes publicadas por Bill Gates em seu blog pessoal. Na semana passada, o bilionário afirmou que, embora a mudança climática seja um problema sério, ela “não levará ao fim da civilização”.
Para Gates, o foco deveria ser o fortalecimento da saúde e da prosperidade global, em vez da temperatura como principal medida de progresso climático.
Durante o evento, Haddad destacou que o Brasil é referência mundial em biocombustíveis e ressaltou o compromisso do governo em fortalecer o marco regulatório do setor elétrico, mesmo diante de pressões de grandes grupos econômicos.
FUNDO FLORESTAS TROPICAIS PARA SEMPRE
O ministro também destacou como prioridade da presidência brasileira na COP30 a criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (Tropical Forests Forever Fund – TFFF), projeto apoiado pelo Banco Mundial.
Segundo ele, o fundo tem potencial para gerar resultados concretos na preservação ambiental.
“Se colocarmos esse fundo de pé, teremos resultados práticos e eficientes. Preservar florestas é bom para todos, sempre, e a um custo muito baixo diante dos benefícios”, afirmou Haddad.
ECONOMIA E METAS FISCAIS
Além do tema ambiental, Haddad comentou sobre o cenário econômico nacional.
Ele destacou o avanço da reforma tributária, a isenção do Imposto de Renda para rendas de até R$ 5 mil e o baixo nível de desemprego, que segue em patamar historicamente reduzido.
“O Brasil, nos últimos três anos, fez muita coisa importante para criar um ambiente de negócios favorável. E isso já está sendo percebido pelos investidores”, disse.
De acordo com o ministro, o país registrou o maior número de leilões de infraestrutura na B3 em décadas, reflexo das reformas estruturais adotadas.
Haddad também reafirmou o compromisso do governo com o cumprimento das metas fiscais e descartou qualquer mudança no resultado primário previsto para o ano.
A meta fiscal de 2025 é de déficit zero, ou seja, equilíbrio entre receitas e despesas (sem considerar os precatórios).
O governo, no entanto, conta com uma margem de tolerância que permite déficit de até 0,25% do PIB, equivalente a cerca de R$ 31 bilhões.
Para 2026, a previsão é de superávit primário de 0,25% do PIB, também com banda de variação.
No mês passado, Haddad descartou alterar a meta de 2026 mesmo após o Congresso rejeitar a medida provisória que previa o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e outras ações de ajuste fiscal.
A MP, derrubada pela Câmara em outubro, buscava gerar cerca de R$ 20 bilhões em arrecadação adicional em 2026.
Com o texto caducado, o governo agora estuda novas alternativas para equilibrar o Orçamento de 2026, sem recorrer ao aumento de tributos.
JUROS E POLÍTICA MONETÁRIA
O ministro também voltou a defender a redução da taxa de juros, afirmando que o nível atual é incompatível com a realidade econômica brasileira.
“[As taxas de juros] vão ter que cair. Por mais pressão que os bancos façam sobre o Banco Central para não baixar juros, elas vão ter que cair”, disse Haddad.
Segundo o ministro, não há justificativa para manter juros reais de 10% com uma inflação de 4,5%.
“Você vai sustentar um juro de 15% em nome do quê? Se eu fosse diretor do Banco Central, votaria pela queda”, declarou, em referência à reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) marcada para esta quarta-feira (5).
O Brasil tem atualmente o segundo maior juro real do mundo, após a taxa Selic atingir 15% ao ano em junho.
De acordo com levantamento da MoneYou, os juros reais brasileiros estão em 9,53%, considerando a taxa nominal descontada da inflação projetada para os próximos 12 meses.
Haddad afirmou ainda que o país pode crescer de forma sustentável, controlando a dívida pública e reduzindo os custos financeiros, e ressaltou que a construção política das reformas ocorre de maneira gradual.
“É mais fácil convencer dez pessoas da equipe econômica do que 513 deputados, mas estamos avançando com paciência e no ritmo que a economia permite”, concluiu.






