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O clima entre Senado e Câmara dos Deputados, que começou harmônico no início deste ano, começou a se desgastar no segundo semestre de 2025.

Líderes do PL e do Centrão já demonstram preocupação de que o projeto da ‘Dosimetria’, conhecido como anistia, sofra o mesmo destino da PEC da Blindagem, derrubada pelo Senado ainda em comissão.

Logo após a eleição dos presidentes das duas Casas, Davi Alcolumbre (União-AP) e Hugo Motta (Republicanos-PB), ambos anunciaram o fim da animosidade entre Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e Arthur Lira (PP-AL), prometendo atuação harmoniosa. Essa sintonia se manteve apenas no primeiro semestre.

No segundo semestre, porém, com a Câmara abraçando pautas polêmicas e impopulares, o Senado passou a adotar uma “distância regulamentar” em relação à Casa. A PEC da Blindagem é um exemplo dessa tensão: o projeto foi arquivado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e derrubado pelo plenário do Senado.

Uma reunião prevista para a noite de quarta-feira (24) entre Hugo Motta, Davi Alcolumbre, o relator do projeto da ‘Dosimetria’, Paulinho da Força (Solidariedade-SP), e líderes partidários, que tinha o objetivo de evitar nova derrota da Câmara, acabou sendo cancelada.

A disputa entre as Casas também chegou à área econômica. Enquanto a Câmara ainda não aprovou o relatório de Arthur Lira que isenta de Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil, a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado aprovou em caráter terminativo projeto semelhante, que seguirá direto para a Câmara.

Hugo Motta terá agora que decidir qual projeto colocar em votação, sendo provável que opte pelo texto de seu aliado. Internamente, a Câmara também enfrenta divergências. Uma ala da Casa defende que a votação do projeto de isenção do IR ocorra apenas após a análise do projeto da ‘Dosimetria’, que prevê redução de penas para condenados por tentativa de golpe.



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