O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que não teme enfrentar nenhum adversário nas eleições presidenciais de 2026.

Aos 80 anos, o petista evitou confirmar oficialmente sua candidatura, mas declarou que apenas duas condições poderiam afastá-lo da disputa: problemas de saúde ou o surgimento de um nome mais forte dentro do campo progressista.
“Eu não escolho adversário. Sinceramente, eu já disputei tantas eleições, já disputei com tanta gente. Eu tenho uma trajetória política que quem deve estar preocupado são meus possíveis adversários”, disse Lula, ao relembrar sua trajetória em pleitos anteriores.
Em agosto, durante reunião ministerial, o presidente chegou a citar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como possível rival em 2026 — a primeira vez que apontou o nome do ex-ministro como adversário em potencial, rompendo a avaliação inicial de que Tarcísio concorreria à reeleição em São Paulo.
Nesta entrevista, no entanto, Lula evitou mencionar nomes e ressaltou apenas que “a extrema direita não vai voltar a governar este país”.
Segundo o petista, a definição sobre sua candidatura ocorrerá apenas em 2026 e dependerá de seu estado de saúde. “Se eu estiver com o estado que eu estou hoje, com a saúde que eu estou hoje, posso te dizer que não tenho dúvidas de que serei candidato à Presidência da República”, afirmou.
Comparação com Getúlio e mudanças na CLT
Lula também fez uma comparação entre sua trajetória política e a de Getúlio Vargas. Segundo ele, ambos foram os únicos presidentes brasileiros desde a Proclamação da República, em 1889, a implementar políticas robustas de inclusão social.
Ao citar a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), criada em 1943, o petista defendeu a atualização do regime jurídico, mas rejeitou a ideia de sua extinção.
“O que você precisa não é acabar com a CLT, é reestruturá-la para adequá-la aos tempos de hoje. Tudo na vida muda e você tem que ir atualizando. Mas acabar com a CLT é você acabar com aquilo que de maior segurança o trabalhador brasileiro já tem”, disse.
Lula afirmou ainda que empresários resistentes à modernização da legislação terão de avançar em um modelo de contratação coletiva.
“Se os empresários quiserem ir acabando com a CLT, vão ter que ficar muito amadurecidos e fazer uma coisa chamada contratação coletiva de trabalho, que muito empresário não quer fazer.”
EUA e Venezuela: neutralidade brasileira
Questionado sobre as recentes tensões entre Estados Unidos e Venezuela, com o envio de navios de guerra americanos para a região, o presidente reforçou a posição de neutralidade do Brasil.
“O Brasil vai ficar do lado que ele sempre esteve: do lado da paz. O Brasil entende que a guerra não leva a nada, a não ser à matança e ao empobrecimento”, declarou.
Desde que aumentaram as ameaças de Washington contra o regime de Nicolás Maduro, Brasília tem emitido declarações pontuais contra uma escalada militar, mas sem protagonizar negociações diplomáticas diretas.
“O Brasil é um país que não tem contencioso internacional, nem queremos contenção internacional. Se tem divergência entre duas nações, não tem coisa melhor, mais barata, para se resolver do que sentar numa mesa de negociação e conversar”, completou.
Conflito Israel-Palestina
Lula também foi questionado sobre seu posicionamento diante da guerra em Gaza e as acusações de que teria simpatia pelo Hamas. O presidente rejeitou a interpretação e reiterou que sua defesa é pela criação de um Estado Palestino que conviva de forma pacífica com Israel.
“Se alguém diz que eu tenho simpatia pelo Hamas, é de uma ignorância, de uma má-fé e de uma estupidez que não merece crédito. Eu defendo o Estado Palestino”, afirmou.
Ele voltou a classificar as ações israelenses em Gaza como genocídio e criticou a comunidade judaica brasileira por não se posicionar contra o governo de Benjamin Netanyahu. “Eu acho que a comunidade judaica deveria mandar uma carta para o primeiro-ministro de Israel e dizer que ele não está fazendo guerra contra o Hamas, está matando mulheres e crianças”, declarou.
Na entrevista, Lula também comentou sobre a resistência enfrentada em negociações com o governo de Donald Trump nos Estados Unidos, falou sobre a necessidade de regulação das redes sociais e voltou a criticar o ex-presidente Jair Bolsonaro, a quem classificou como “uma figura que não é normal”.
