O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (9) que pretende anunciar, entre hoje e amanhã, novas medidas tarifárias contra países que, segundo ele, mantêm práticas comerciais desfavoráveis aos EUA. O Brasil foi diretamente citado e deverá estar entre os novos alvos.

“O Brasil, por exemplo, não tem sido bom conosco, nada bom”, disse Trump a jornalistas durante um evento com líderes da África Ocidental na Casa Branca. “Vamos divulgar um número referente ao Brasil ainda esta tarde ou amanhã de manhã.”

Segundo o republicano, esta será a segunda leva de notificações formais sobre o aumento de tarifas de importação.

Os documentos estão sendo enviados a parceiros comerciais com a imposição de taxas que variam entre 25% e 40%, com validade a partir de 1º de agosto.

Até agora, pelo menos 21 países já foram notificados, entre eles Argélia, Filipinas, Líbia, Coreia do Sul e Japão.

A medida é parte de uma nova rodada de pressão por acordos comerciais mais vantajosos aos EUA.

ALVO NO BRICS E CRÍTICA AO BLOCO

Além do Brasil, Trump voltou a mirar os países que integram o Brics, bloco que reúne economias emergentes. Ele prometeu uma tarifa extra de 10% contra qualquer nação que componha o grupo, sob o argumento de que o Brics estaria tentando substituir o dólar como moeda padrão global — o que, segundo ele, seria uma ameaça à economia americana.

“Se eles quiserem jogar esse jogo, tudo bem, mas eu também sei jogar”, disse Trump. “Qualquer país que fizer parte do Brics terá uma tarifa de 10%, apenas por esse motivo.”

O Brics é composto por Brasil, Rússia, China, Índia, África do Sul, além de novos membros como Emirados Árabes, Egito, Arábia Saudita, Etiópia, Indonésia e Irã.

Em resposta às declarações de Trump, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reforçou a autonomia dos integrantes do bloco.

“Os países do Brics são soberanos. Não aceitamos intromissão de quem quer que seja. Nós defendemos o multilateralismo”, disse.

PRESSÃO POR ACORDOS E RETOMADA DO TARIFAÇO

As novas medidas fazem parte da estratégia de Trump para pressionar países a firmarem acordos comerciais bilaterais com os EUA.

Até o momento, o republicano conseguiu apenas três pré-acordos comerciais desde que anunciou o retorno da política de tarifas chamadas de “recíprocas”.

A Casa Branca confirmou que as cartas foram enviadas tanto aos governos quanto publicadas no perfil oficial de Trump na rede Truth Social.

Um decreto assinado pelo presidente norte-americano também fixou em 1º de agosto a retomada oficial das cobranças — data que, segundo ele, não será alterada.

Na fala de terça-feira (8), o republicano não especificou quais atitudes dos países do Brics seriam “antiamericanas”, mas reforçou que os EUA não aceitarão ações que prejudiquem o dólar.


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