A morte do ex-ministro dos Transportes da Rússia, Roman Starovoit, ampliou a lista de autoridades, empresários e opositores do governo de Vladimir Putin que, segundo versões oficiais, teriam tirado a própria vida em circunstâncias controversas.

Vladimir Putin

O caso teve repercussão internacional e levanta, mais uma vez, suspeitas sobre o papel do governo russo nessas ocorrências.

Starovoit, de 51 anos, foi encontrado morto poucas horas após ser demitido por Putin.

O corpo foi localizado em meio a arbustos na região de Moscou, com uma arma de fogo ao lado.

De acordo com o jornal russo Izvestiya, o ex-ministro teria cometido suicídio, versão também difundida por outros veículos estatais.

Em coletiva na terça-feira (8), o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou que o governo ficou “chocado” com a morte. Starovoit havia assumido o Ministério dos Transportes em maio de 2024, após comandar por quase cinco anos a região de Kursk, na fronteira com a Ucrânia.

Fontes da agência Reuters indicam que sua permanência no cargo estava ameaçada devido a investigações sobre corrupção em sua antiga gestão.

O caso se soma a uma série de mortes suspeitas envolvendo figuras de destaque na Rússia nos últimos anos — muitas delas classificadas oficialmente como suicídios, quedas acidentais ou causas naturais. Veja alguns exemplos:

1. ALEXEI NAVALNY

Principal opositor de Vladimir Putin, Navalny morreu em fevereiro de 2024 aos 47 anos, em uma colônia penal no Ártico.

O governo russo alegou morte natural, mas a família e líderes internacionais acusaram o Kremlin de assassinato. Navalny já havia sobrevivido a uma tentativa de envenenamento em 2020.

2. YEVGENY PRIGOZHIN

Chefe do grupo mercenário Wagner, Prigozhin morreu em agosto de 2023 após a queda do avião em que estava, dois meses após liderar uma rebelião contra o alto comando militar russo. Agências dos EUA afirmaram que a queda pode ter sido causada por explosão a bordo.

3. ALEXANDER LITVINENKO

Ex-agente da KGB e crítico feroz de Putin, Litvinenko foi envenenado com polônio-210 em Londres, em 2006. Antes de morrer, acusou Putin de ser o mandante. O Tribunal Europeu de Direitos Humanos responsabilizou a Rússia pelo crime.

4. PAVEL ANTOV

Deputado e empresário bilionário, Antov caiu da janela de um hotel na Índia em dezembro de 2022, dias após a morte misteriosa de um amigo que o acompanhava. Ele havia criticado os ataques russos na Ucrânia meses antes do ocorrido.

5. RAVIL MAGANOV

Presidente da petrolífera Lukoil, Maganov morreu ao cair da janela de um hospital em Moscou, em setembro de 2022. A empresa divulgou nota afirmando que ele sofria de uma doença grave, mas a mídia estatal sugeriu suicídio. A Lukoil havia se manifestado contra a guerra na Ucrânia.

Desde o início da invasão à Ucrânia, dezenas de magnatas russos morreram de forma suspeita, muitos ligados aos setores de energia e finanças.

Casos envolvem quedas de janelas, enforcamentos e mortes violentas em família. Veja alguns nomes:

  • Leonid Schulman (Gazprom) – encontrado morto com carta de despedida.
  • Alexander Tyulyakov (Gazprom) – enforcado em chalé.
  • Andrei Krukovsky (resort da Gazprom) – caiu de penhasco.
  • Sergei Protosenya (Novatek) – morto ao lado da família na Espanha.
  • Vladislav Avaev (Gazprombank) – morto com esposa e filha.
  • Kristina Baikova (Loko-Bank) – queda do 11º andar.

Críticos do regime de Putin e observadores internacionais alertam que, em muitos casos, os mortos haviam manifestado insatisfação com o governo, feito denúncias ou se distanciado do núcleo político do Kremlin.

Apesar das suspeitas, o governo russo nega envolvimento em qualquer uma das mortes e continua tratando os casos como investigações isoladas. A imprensa estatal é utilizada para reforçar a versão oficial dos fatos.


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