A 17ª Cúpula do Brics, realizada no Rio de Janeiro até esta segunda-feira (7), terminou com a divulgação da “Declaração do Rio de Janeiro”, documento oficial com os principais compromissos assumidos pelos 11 países-membros do grupo.

Entre os destaques estão a defesa de uma ampla reforma na Organização das Nações Unidas (ONU), o apoio à criação de dois Estados para resolver o conflito entre Israel e Palestina e o repúdio a ataques recentes contra o Irã.
O documento, divulgado neste domingo (6) pelo Ministério das Relações Exteriores, resume os pontos debatidos ao longo do ano pelos diplomatas dos países integrantes do bloco — Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Egito, Etiópia, Irã, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Argentina.
Os líderes se reuniram no Museu de Arte Moderna (MAM), no Rio, e a programação segue com a chegada de membros convidados.
A declaração final aponta os principais posicionamentos políticos do bloco sobre temas de interesse global, evidenciando o desejo de fortalecimento do multilateralismo e de uma nova governança mundial.
REFORMA DA ONU E NOVA ORDEM GLOBAL
Os países do Brics reiteraram apoio a uma reforma abrangente da ONU, com foco especial na modernização do Conselho de Segurança.
Segundo o texto, o objetivo é torná-lo mais democrático, representativo e eficiente, com maior participação de países em desenvolvimento, especialmente da África, América Latina e Caribe.
A declaração também reafirma o compromisso da China e da Rússia — membros permanentes do Conselho de Segurança — com as aspirações do Brasil e da Índia de assumirem papel mais relevante nas Nações Unidas.
PALESTINA E ISRAEL
Outro ponto de destaque foi o posicionamento unificado em defesa da criação de dois Estados como única forma de alcançar a paz duradoura entre palestinos e israelenses.
O documento defende negociações pacíficas baseadas nas fronteiras de 1967, com Jerusalém Oriental como capital do futuro Estado palestino.
Apesar das diferenças históricas, inclusive do fato de o Irã não reconhecer a legitimidade do Estado de Israel, a delegação iraniana apoiou o texto, demonstrando um raro alinhamento em nome da estabilidade regional.
REPÚDIO A ATAQUES CONTRA O IRÃ
Os líderes do Brics também expressaram condenação a ataques recentes contra o Irã, sem citar diretamente os responsáveis.
O texto evita menções explícitas a países como os Estados Unidos ou Israel, mas reitera a importância da paz e da não intervenção nos assuntos internos das nações.
Outras pautas abordadas na declaração final:
🌐 Fortalecimento do multilateralismo
O grupo reforçou o apoio ao sistema internacional baseado em regras, ao direito internacional e às instituições multilaterais.
Rejeitou medidas unilaterais, como tarifas e sanções comerciais, que prejudiquem o equilíbrio global — embora o texto não cite diretamente os EUA ou ex-líderes como Donald Trump.
🏦 Reforma da governança financeira global
Os países pedem reformas no Fundo Monetário Internacional (FMI) e no Banco Mundial, com maior protagonismo para o chamado Sul Global — conjunto de países em desenvolvimento da América Latina, África, Ásia e Oriente Médio.
💱 Cooperação econômica
A cúpula destacou a importância do uso de moedas locais nas transações entre os países do Brics e o fortalecimento do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) e do Arranjo Contingente de Reservas (ACR).
🌱 Compromissos ambientais
Foi reafirmado o apoio ao fundo “Tropical Forests Forever”, voltado à preservação de florestas tropicais e da biodiversidade.
O grupo também defendeu uma transição ecológica justa e financiada, com foco no desenvolvimento sustentável.
🩺 Saúde pública
Foi lançada a Parceria para Eliminar Doenças Socialmente Determinadas, que visa ampliar o acesso à vacinação, reduzir a pobreza e as desigualdades na área da saúde.
⚠️ Segurança internacional
Além de condenar os ataques ao Irã, o bloco manifestou preocupação com os conflitos no Oriente Médio, especialmente em Gaza. A declaração pede o fim da violência e a proteção dos civis palestinos.
⚙️ Tecnologia e infraestrutura
O grupo anunciou o compromisso com o avanço da inteligência artificial, da ciência e da educação, além da integração logística e digital. Uma nova declaração específica sobre inteligência artificial será publicada nos próximos dias.
🛠️ Parcerias setoriais
Foram destacadas iniciativas para fortalecer a cooperação em áreas como agricultura, transporte, turismo, educação e juventude, com a criação de fóruns e centros de inovação conjuntos.






