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O PSDB aprovou nesta quinta-feira (5) a incorporação do Podemos à sua estrutura partidária. Em convenção nacional realizada em Brasília, a proposta foi aprovada por ampla maioria: 201 votos a favor e apenas dois contrários.

O movimento, construído ao longo dos últimos meses, representa uma tentativa do partido de reagir à crise de identidade e à perda de relevância que vem enfrentando desde as eleições de 2018.

A incorporação — e não uma fusão, como chegou a ser cogitado — permitirá que o PSDB absorva o Podemos sem a criação de uma nova sigla.

A medida foi escolhida estrategicamente para evitar impasses jurídicos com o Cidadania, partido com o qual o PSDB está federado desde 2022.

Embora o Cidadania já tenha sinalizado intenção de rompimento, a legislação eleitoral só permite a dissolução da federação em 2026.

Assim, a incorporação mantém o PSDB juridicamente intacto, contornando sanções legais.

Segundo o presidente nacional do PSDB, Marconi Perillo, a formalização do processo será encaminhada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na próxima semana.

A expectativa de líderes tucanos é que o TSE aprove a incorporação até outubro. A princípio, o novo nome do partido será “PSDB+Podemos”, embora questões como o número de urna e o modelo de governança ainda estejam em negociação.

A união tem como objetivo imediato ampliar a presença parlamentar do PSDB e garantir maior acesso a recursos públicos.

Juntas, as siglas somam atualmente 28 deputados federais, o que formaria a sétima maior bancada da Câmara, além de sete senadores — tornando-se a quarta maior força no Senado.

Com base no desempenho eleitoral de 2022, o novo partido terá direito a R$ 384,6 milhões em fundo eleitoral e R$ 77 milhões em fundo partidário, segundo os valores atuais.

Além disso, a nova sigla contará com 405 prefeituras espalhadas pelo país e manterá um governador em exercício: Eduardo Riedel, do Mato Grosso do Sul.

Em discurso durante a convenção, Riedel afirmou apoiar integralmente a união com o Podemos e destacou a necessidade de fortalecimento do partido.

A união também representa uma resposta à debandada interna que atingiu o PSDB nos últimos anos.

Em 2024, dois dos três governadores eleitos pela legenda em 2022 — Eduardo Leite (RS) e Raquel Lyra (PE) — deixaram o partido rumo ao PSD.

O desgaste interno e a fragmentação ideológica aceleraram a perda de quadros e acentuaram o risco de esvaziamento da sigla.

Para o deputado federal Aécio Neves (MG), presidente do Instituto Teotônio Vilela, a incorporação é uma tentativa de restaurar o protagonismo do PSDB no cenário nacional.

A sigla, que governou o Brasil por dois mandatos com Fernando Henrique Cardoso, pretende construir um novo programa partidário baseado em quatro pilares: combate à desigualdade social, equilíbrio fiscal, gestão eficiente de políticas públicas e reformas estruturais.

O novo slogan do partido, “Radical no que importa”, simboliza esse esforço de reestruturação.

Aécio afirmou que o PSDB buscará ocupar um espaço de centro mais definido, mirando eleitores que não se identificam nem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nem com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A direção nacional também obteve autorização para negociar futuras alianças com outras legendas, o que abre margem para novos arranjos políticos.

A meta é robustecer a estrutura partidária a tempo das eleições de 2026, quando a cláusula de barreira se tornará ainda mais rígida.

A nova regra exigirá que os partidos obtenham, no mínimo, 2,5% dos votos válidos para a Câmara — distribuídos em nove estados com, ao menos, 1,5% dos votos em cada — ou elejam 13 deputados federais em pelo menos nove estados.

A expectativa do PSDB é que, com a incorporação e o reforço de suas bancadas, a sigla consiga cumprir essas exigências e recupere parte de sua influência no Congresso.



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