O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou, em entrevista ao UOL nesta quarta-feira (14), que não deseja a Presidência da República “nem ao próprio inimigo”. Segundo ele, ocupar o cargo é uma experiência extremamente desgastante. “É uma vida terrível, você tem problema de domingo a domingo”, comentou.

Bolsonaro disse ainda que não esperava chegar ao Palácio do Planalto em 2019. “Fui candidato porque pensei: ‘chega, 22 anos como deputado, vou cuidar da minha vida’. E acabei me elegendo. Até falei: ‘meu Deus, qual foi o meu pecado para ser presidente?’”, declarou.
Durante o mandato, o ex-presidente enfrentou uma série de polêmicas, especialmente durante a pandemia de covid-19, marcada por declarações negacionistas e suspeitas na compra de vacinas.
Na área ambiental, dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indicaram aumento expressivo no desmatamento da Amazônia.
Já na economia, segundo levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV), 29,2 milhões de brasileiros estavam em situação de fome em 2022, o maior número em 11 anos.
Derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2022, Bolsonaro voltou a criticar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), afirmando que foi prejudicado durante a campanha.
“Antidemocrático foi o que o TSE fez comigo. Eu não podia mostrar imagens do Lula defendendo aborto, falando que toma cervejinha, nem fotos minhas no enterro da Rainha Elizabeth ou na ONU”, disse.
O ex-presidente também comentou a inelegibilidade que enfrenta até 2030, determinada pelo TSE por abuso de poder político e econômico no uso das celebrações do 7 de setembro de 2022.
Ele afirmou que isso se deu por duas razões: uma reunião com embaixadores para criticar o sistema eleitoral e o uso da estrutura pública no evento da independência.
Além disso, Bolsonaro afirmou que, caso seja condenado pelas acusações da Procuradoria-Geral da República (PGR), sua trajetória política pode chegar ao fim.
“Se eu for condenado, acabou. Pela minha idade, acabou. Espero que isso não aconteça”, afirmou. Entre as acusações contra ele estão organização criminosa, suposta tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
A investigação atinge ainda ex-ministros, militares e ex-assessores próximos do ex-presidente, como Walter Braga Netto, Augusto Heleno, Anderson Torres e o ex-ajudante de ordens Mauro Cid, que firmou acordo de delação premiada.






