O presidente da Argentina, Javier Milei, enfrenta uma grave crise política após apoiar publicamente o lançamento da criptomoeda $Libra, promovida por uma empresa privada.

A valorização repentina e a posterior desvalorização do ativo digital levantaram suspeitas de irregularidades, levando o próprio governo a anunciar uma investigação sobre o caso.

A polêmica começou quando Milei publicou, em suas redes sociais, um texto elogiando o projeto Viva La Libertad, vinculado à $Libra, que prometia financiar pequenos negócios no país.

O apoio presidencial fez com que o valor da criptomoeda disparasse, beneficiando os primeiros investidores que venderam suas unidades com grande lucro.

No entanto, a cotação despencou logo após especialistas e opositores levantarem suspeitas de fraude.

Diante da repercussão negativa, Milei apagou a publicação e afirmou não ter qualquer vínculo com o empreendimento.

A crise, porém, se aprofundou com denúncias de que pessoas próximas ao presidente teriam pedido vantagens a empresários para facilitar encontros com o governo.

O jornal La Nación chegou a afirmar que o caso abriu uma “caixa de Pandora” no governo argentino.

Investigação e reação do governo

Para conter os danos, a Casa Rosada anunciou duas medidas: uma investigação do Gabinete Anticorrupção para apurar a conduta de membros do governo, incluindo Milei, e a criação de uma força-tarefa para analisar o projeto e seus envolvidos.

Segundo nota oficial divulgada no sábado (15), Milei teria conhecido os responsáveis pela $Libra em outubro de 2024, em um encontro registrado oficialmente.

Dois meses depois, teria se reunido novamente com os empresários, que apresentaram um sócio do empreendimento.

A equipe presidencial reforçou que Milei apenas compartilhou a iniciativa, como faz com outros projetos que buscam investimentos no país.

Ainda assim, a controvérsia não cessou. Na manhã deste domingo (16), organizações sociais e o partido Unidade Popular ingressaram com uma denúncia na Justiça contra Milei, acusando-o de envolvimento em um esquema que teria causado um prejuízo estimado em US$ 4 bilhões a mais de 40 mil pessoas.


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