O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se manifestou pela primeira vez após a prisão do general Walter Braga Netto, que foi seu vice na chapa de reeleição em 2022.

Em uma postagem nas redes sociais, na noite de sábado, Bolsonaro levantou questões sobre a decisão da Polícia Federal, que prendeu o ex-ministro em uma operação relacionada ao inquérito que investiga uma tentativa de golpe de Estado.

A manifestação de Bolsonaro ocorre no contexto da investigação que apura uma suposta tentativa de golpe após a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como presidente em 2022.

Tanto Bolsonaro quanto Braga Netto estão entre os indiciados no inquérito. A defesa de Braga Netto, por sua vez, afirmou em comunicado que o general da reserva não teria tentado obstruir as investigações.

Na manhã de sábado, a Polícia Federal, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, cumpriu um mandado de prisão preventiva contra Braga Netto, além de mandados de busca e apreensão, incluindo um contra o ex-assessor do general, coronel Flávio Botelho Peregrino. A prisão foi realizada no Rio de Janeiro.

A PF justificou a medida com base na acusação de obstrução de Justiça, afirmando que a prisão preventiva visava evitar a reiteração de atos ilícitos durante o processo.

O mesmo objetivo teria motivado a busca e apreensão dos documentos relacionados à investigação.

O general e ex-ministro da Casa Civil e da Defesa no governo de Jair Bolsonaro foi indiciado pela PF em novembro, sendo acusado de crimes como a abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa e tentativa de golpe de Estado, com penas que podem totalizar até 28 anos de prisão.

Braga Netto é apontado como uma das figuras centrais no planejamento de um golpe, com envolvimento também na tentativa de obstruir as investigações sobre os atos.

Segundo o inquérito, que reúne elementos de provas de sua participação, o general estaria envolvido em ações que comprometeriam a liberdade na produção de provas processuais.

Além disso, a PF apontou que o plano de golpe envolvia a tentativa de assassinato de figuras como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice Geraldo Alckmin e o ministro do STF Alexandre de Moraes.

O general, que na época de seu indiciamento classificou a teoria de “golpe dentro do golpe” como “fantasiosa”, negou as acusações.

Em seu depoimento à PF, o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, tenente-coronel Mauro Cid, afirmou que Braga Netto teria financiado militares das Forças Especiais com dinheiro vivo para viabilizar o plano golpista, acusação essa rejeitada pela defesa do general.


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