Uma nova fase da Operação Faixa Rosa foi deflagrada na manhã desta quinta-feira (5) e resultou na prisão de suspeitos de integrar uma facção criminosa com atuação nos estados do Piauí e do Maranhão. A ação é conduzida pelas forças de segurança estaduais com o objetivo de desarticular a estrutura do grupo.

Entre os presos está um homem apontado como responsável por realizar o cadastro de novos integrantes da organização criminosa e por intermediar conflitos internos entre membros da facção, segundo informações da Secretaria de Segurança Pública do Piauí.

Durante o cumprimento do mandado judicial contra o suspeito, ele reagiu à abordagem policial, mas foi rapidamente contido pelos agentes. Além das prisões efetuadas, equipes da Polícia Civil e da Polícia Militar seguem em diligências para localizar outras cinco pessoas investigadas por envolvimento com o grupo criminoso.

Também foi presa novamente uma mulher conhecida pelo apelido de “Patroa”, que já havia sido investigada anteriormente por participação na facção. Outra mulher que estava foragida desde a primeira fase da operação foi localizada e presa no município de Barreirinhas, no Maranhão. Em abril de 2025, ela não havia sido encontrada nos endereços de familiares, pois havia deixado o estado.

De acordo com o delegado Charles Pessoa, do Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), as investigações continuaram após a primeira etapa da operação e permitiram identificar novos integrantes que desempenhavam funções importantes dentro da estrutura da facção.

Segundo o delegado, a atuação dessas pessoas era considerada estratégica para o funcionamento da organização criminosa, o que motivou a nova fase da operação.

Influenciadoras digitais investigadas por promover facção

As etapas iniciais da Operação Faixa Rosa revelaram ainda o envolvimento de influenciadoras digitais que utilizavam redes sociais para promover facções criminosas e fazer apologia ao tráfico de drogas e à violência armada.

Na época, o Draco divulgou materiais que embasaram o inquérito policial. Entre os documentos estavam registros internos da facção, que funcionavam como um tipo de cadastro dos integrantes do grupo.

Esses registros continham informações como nome verdadeiro, apelido, comunidade de origem, área de atuação dentro da organização, referências hierárquicas e data de entrada na facção.

De acordo com a polícia, o material também evidenciou o uso das redes sociais como ferramenta para exibição de armas, ostentação de drogas, incitação à violência e organização de ataques contra grupos rivais.

Para o delegado Charles Pessoa, os conteúdos analisados mostram não apenas a estrutura de comando e disciplina existente dentro da organização criminosa, mas também um processo de doutrinação de novos integrantes por meio do uso de códigos internos e linguagem própria da facção.

Ainda segundo o delegado, um dos focos da operação é combater o fenômeno que ele classificou como “glamourização do crime”, impulsionado por pessoas com grande presença nas redes sociais.

De acordo com ele, a exposição de conteúdos ligados à criminalidade pode influenciar jovens e estimular a adesão ao tráfico de drogas, à participação em organizações criminosas e ao confronto armado com o Estado.

As investigações continuam e novas diligências devem ser realizadas para localizar os demais suspeitos envolvidos no esquema criminoso.


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

×