A tragédia que marcou a vaquejada de Trizidela do Vale no último domingo, 6, quando o prefeito de Igarapé Grande, João Vitor Xavier, matou a tiros o policial militar Geidson dos Santos, ainda está longe de um desfecho. Mas enquanto as investigações oficiais caminham, outro elemento vem ganhando corpo nos bastidores e nas redes sociais: o histórico da vítima.
Segundo apurou a equipe de reportagem de O Informante, documentos judiciais confirmam que o soldado Geidson respondia a uma série de processos por condutas consideradas violentas e incompatíveis com a função pública que exercia. As ocorrências vão de agressão física a ameaça, passando por disparo de arma de fogo em via pública e direção sob efeito de álcool.
Em 2019, Geidson foi denunciado por ameaçar um civil em local público. Em 2020, foi preso por embriaguez ao volante. Em 2021, atirou para o alto enquanto consumia bebida alcoólica, utilizando a arma de outro policial — crime que ele admitiu em juízo e pelo qual firmou acordo com o Ministério Público. No ano seguinte, em 2022, agrediu fisicamente outro homem com socos, sendo contido por seguranças. A agressão foi confirmada por exame pericial. Todos os episódios constam de registros judiciais.
Esses dados, agora compartilhados por populares em grupos de WhatsApp e redes sociais, levantam debate sobre o contexto da morte e a conduta pregressa da vítima. A discussão, no entanto, não isenta — e nem pode isentar — o autor dos disparos de responder por seus atos.
O prefeito João Vitor alega ter agido em legítima defesa, afirmando que foi ameaçado pelo policial durante o evento. A versão é investigada pela Polícia Civil, que colhe depoimentos e analisa imagens do local. João Vitor se apresentou espontaneamente à polícia e segue em liberdade.
Um especialista em direito penal ouvido reservadamente pela reportagem avalia que, embora a ficha da vítima não sirva como justificativa para a execução de um crime, pode sim ser considerada no processo de análise da conduta e do contexto. O artigo 59 do Código Penal prevê que a personalidade e os antecedentes das partes envolvidas podem influenciar na dosimetria da pena e no entendimento do cenário que levou ao desfecho violento.
A sociedade, porém, segue dividida. De um lado, a indignação com a morte de um agente de segurança pública. De outro, a perplexidade com o padrão de comportamento revelado pelo histórico judicial de quem deveria servir como exemplo de ordem.






