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O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) abriu um procedimento administrativo para apurar o valor atualizado da dívida do Corinthians com a Caixa Econômica Federal referente ao financiamento da Neo Química Arena, em Itaquera, na zona leste de São Paulo.

Atualmente, a pendência financeira é estimada em R$ 642 milhões. No entanto, o Ministério Público investiga a possibilidade de o valor efetivamente devido pelo clube ser inferior ao montante informado.

A informação foi divulgada pela Record TV. Procurado pelo Estadão, o Corinthians não se manifestou sobre o procedimento. A Caixa Econômica Federal, por sua vez, afirmou que o assunto está protegido por sigilo bancário e, por isso, não comentou o caso.

A investigação está sob responsabilidade do promotor Cassio Roberto Conserino e teve origem em uma denúncia apresentada pelo perito Anísio Castelo Branco, CEO do Instituto de Perícia Investigativa, entidade que atua na análise de possíveis fraudes, lavagem de dinheiro e contratos bancários.

Segundo a reportagem, Castelo Branco elaborou um dossiê com informações sobre o financiamento e analisou documentos públicos relacionados à dívida. O levantamento levou em consideração, entre outros fatores, multas e os juros aplicados ao contrato.

O perito também teria procurado dirigentes do Corinthians em 2020. Naquele ano, ele enviou e-mails a Andres Sanchez, então presidente do clube, e a Alexandre Husni, que presidia o Conselho Deliberativo. De acordo com a reportagem, não houve resposta às mensagens.

FINANCIAMENTO COMEÇOU EM R$ 400 MILHÕES

O financiamento para a construção da Neo Química Arena foi contratado pelo Corinthians em 2013, durante a gestão de Andres Sanchez. O clube obteve R$ 400 milhões por meio de uma linha de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), repassada pela Caixa Econômica Federal.

Apesar de o valor original do financiamento ter sido de R$ 400 milhões, a dívida cresceu ao longo dos anos em razão dos encargos financeiros.

Em 2022, Corinthians e Caixa chegaram a um acordo para reestruturar o débito. Na ocasião, o saldo devedor foi estabelecido em R$ 611 milhões, com prazo de 20 anos para a quitação.

Após a renegociação, o pagamento passou a ser realizado em parcelas trimestrais. Entre as fontes utilizadas para cumprir as obrigações estão os recursos provenientes do contrato de naming rights da Neo Química Arena, além da arrecadação com bilheteria e eventos realizados no estádio.

JUROS SÃO UM DOS PONTOS ANALISADOS

O modelo de correção da dívida também está entre os pontos que chamam a atenção na investigação. O saldo é reajustado anualmente com base no CDI (Certificado de Depósito Interbancário), acrescido de uma taxa fixa de 2%.

O Corinthians afirma já ter desembolsado aproximadamente R$ 600 milhões relacionados à Arena, embora ainda mantenha uma dívida de cerca de R$ 642 milhões com a Caixa.

Entre 2019 e 2022, período em que clube e banco negociaram a reestruturação do contrato, os pagamentos ficaram suspensos. A interrupção contribuiu para o aumento dos encargos e do saldo devedor.

Depois do acordo firmado em 2022, grande parte das parcelas inicialmente pagas foi destinada aos juros. A amortização mais significativa do valor principal começou apenas em 2025.

CORINTHIANS TENTA REDUZIR CUSTO DA DÍVIDA

Em 2025, o presidente do Corinthians, Osmar Stábile, iniciou conversas com a Caixa para discutir uma nova forma de pagamento do financiamento.

Entre os objetivos do clube estava a redução dos juros e, consequentemente, do impacto da dívida sobre as finanças corintianas. Até o momento, porém, as negociações não chegaram a uma solução definitiva.

Também em 2025, uma campanha organizada pela torcida Gaviões da Fiel arrecadou aproximadamente R$ 40,9 milhões. O dinheiro foi destinado à amortização de parte da dívida da Neo Química Arena.

De acordo com as informações divulgadas, a operação ajudou a reduzir os juros anuais pagos pelo Corinthians em aproximadamente R$ 7 milhões.



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