Um jingle político criado há dez anos para uma disputa eleitoral no interior do Piauí voltou a chamar atenção em 2026 e se transformou em um dos conteúdos mais inusitados a circular nas redes sociais.

Conhecido como “Jingle do Osmarzinho”, o material foi produzido durante a campanha para a Prefeitura de Cocal dos Alves, em 2016, e ressurgiu na internet uma década depois.
Em ritmo de forró, com elementos que remetem ao axé, a música apresenta uma sequência de perguntas e respostas que cita repetidamente o nome de Osmarzinho e faz diversas acusações contra o então candidato e integrantes de sua família.
O detalhe que aumentou ainda mais a repercussão é que a música não foi criada com inteligência artificial. O áudio que viralizou é o material original utilizado durante a campanha eleitoral de 2016, quando carros de som, conhecidos na região como “paredões”, percorriam as ruas de Cocal dos Alves reproduzindo o jingle.
A canção, que na época fazia parte da estratégia de campanha de um adversário de Osmarzinho, ganhou uma segunda vida nas redes sociais em 2026.
Trechos como “Foi o próprio Osmarzinho” ficaram entre as frases mais lembradas pelos internautas e ajudaram a transformar uma peça de propaganda eleitoral de uma pequena cidade piauiense em um fenômeno da internet.
QUEM É OSMARZINHO
O personagem central do jingle é Osmar de Sousa Vieira, conhecido como Osmarzinho. Comerciante, ele foi prefeito de Cocal dos Alves entre 2017 e 2024, após vencer a eleição municipal de 2016.
Naquele pleito, Osmar disputou a Prefeitura pelo PT contra Ivan, do PDT. A eleição foi apertada. Osmarzinho recebeu 51,73% dos votos, enquanto o adversário ficou com 48,27%, uma diferença de apenas 151 votos.
Apesar do tom agressivo da música, o jingle não impediu a vitória de Osmarzinho. Pelo contrário, ele assumiu a prefeitura em 2017 e posteriormente foi reeleito em 2020, permanecendo no cargo por oito anos.
Em 2026, ele não é candidato. Mesmo assim, seu nome voltou ao centro das atenções justamente por causa da música produzida durante aquela campanha.
UMA MÚSICA RECHEADA DE ACUSAÇÕES
O jingle utiliza perguntas e respostas para apresentar acusações relacionadas a Osmarzinho e a integrantes de sua família.
Entre os versos, aparecem referências a processos, obras públicas, dinheiro e episódios envolvendo parentes.
Entre as frases que ganharam repercussão nas redes estão questionamentos como “Quem responde oito processos, inclusive um por morte?” e “Quem pega dinheiro emprestado com o tio e não paga?”, seguidos de respostas que atribuem as situações ao próprio Osmarzinho.
As afirmações presentes na música, porém, não comprovam que os fatos mencionados tenham ocorrido.
Uma pessoa que participou da campanha de Osmarzinho em 2016 afirmou que o conteúdo provocou forte reação na época e que a música tinha, entre seus objetivos, associar o candidato à imagem de alguém que não seria originalmente da cidade.
Segundo o relato, a disputa chegou a envolver a reprodução de uma resposta da campanha de Osmarzinho nos mesmos locais onde o jingle adversário era tocado.
O ACIDENTE CITADO NA MÚSICA
Entre as acusações resgatadas pelos internautas está a referência a um acidente envolvendo Osmarzinho quando ele era jovem.
Segundo a integrante da campanha ouvida na época da produção da reportagem que resgatou a história, Osmar realmente esteve envolvido em um acidente no qual uma criança morreu. Ela afirmou, porém, que o episódio teria sido acidental e que ele prestou socorro.
Outras referências feitas na música envolvem supostas dívidas, familiares e até um episódio relacionado ao pai de Osmar, Valdemar Vieira, conhecido como Valdemarzinho.
A fonte ouvida classificou parte das acusações como uma mistura de histórias utilizada politicamente para atingir a família.
O CURIOSO DESTINO DO JINGLE
Se a intenção do jingle era contribuir para a derrota de Osmarzinho em 2016, o resultado eleitoral acabou sendo bem diferente.
O candidato venceu aquela eleição por uma margem estreita e assumiu a Prefeitura de Cocal dos Alves. Quatro anos depois, conseguiu a reeleição e permaneceu no cargo até 2024.
Dez anos depois, porém, foi justamente a música usada contra ele que voltou a colocar seu nome em evidência.
O jingle ganhou força nas redes sociais porque combina elementos que favorecem a memorização: uma melodia simples, repetição do nome do personagem central, perguntas curtas e respostas diretas.
O conteúdo também passou a ser compartilhado em tom de humor pelos internautas, que criaram comentários e memes a partir das situações apresentadas na música.
JINGLE NÃO FOI CRIADO POR INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Em meio à onda de conteúdos produzidos ou modificados por inteligência artificial, outro aspecto chamou atenção: o “Jingle do Osmarzinho” é real e tem dez anos.
A gravação que viralizou não é uma composição recente feita para simular uma campanha política. Trata-se do material produzido para a eleição municipal de 2016 e que voltou a circular nas redes sociais em 2026.
A distância de uma década entre a criação e a viralização ajudou a aumentar a curiosidade em torno do conteúdo.
Uma música originalmente destinada aos carros de som de uma pequena cidade do Piauí acabou alcançando um público muito maior do que aquele imaginado durante a campanha.
