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O partido Missão oficializou neste sábado (1º), em São Paulo, a candidatura de Renan Santos à Presidência da República. O anúncio ocorreu durante congresso realizado no Komplexo Tempo, na Zona Leste da capital paulista.

Renan Santos subiu ao palco por volta das 17h30 e afirmou que chega à disputa presidencial após 12 anos de atuação política. Ele também relembrou sua trajetória como um dos cofundadores do Movimento Brasil Livre (MBL).

“Eu sou hoje candidato à Presidência da República após 12 anos de movimento político, fazendo absolutamente tudo o que eu e os meus amigos acreditamos”, declarou.

Durante o discurso, Renan afirmou que sua candidatura não se define pela oposição ao PT ou ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, os dois grupos representam modelos que precisam ser superados.

“Nós não somos a negação do PT. Nós não somos antipetistas. Nós não somos como outros ratos que se vestem de verde e amarelo, se apropriando dos símbolos nacionais só para dizerem: ‘veja só, eu sou o oposto do Lula’”, afirmou.

O candidato também declarou que “quando você se define pelo seu inimigo, você nunca o supera” e defendeu que PT e bolsonarismo sejam deixados para trás na política brasileira.

Renan já havia sido oficializado pelo partido como candidato em 20 de julho, em um evento realizado de forma virtual e sem transmissão ao vivo.

De acordo com ele, a decisão ocorreu por orientação da equipe de segurança da pré-campanha, diante de ameaças que teriam sido atribuídas a facções criminosas.

AROLDO MEDINA SERÁ CANDIDATO A VICE

O candidato a vice-presidente na chapa será Aroldo Medina, militar da reserva. Ele foi o primeiro integrante da chapa a discursar no evento.

Medina destacou a segurança pública como uma das prioridades da candidatura e afirmou que pretende comandar uma operação no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.

“Vou ligar para o presidente Renan Santos e vou dizer: ‘presidente, pronto, dê o sinal verde’. Vamos botar aquela bandidagem toda a correr e inauguraremos uma nova era de ordem e progresso para o Brasil”, declarou.

O deputado federal Kim Kataguiri, do Missão, também defendeu uma política de endurecimento contra o crime organizado. “O choque de lei e ordem que será dado neste país não tem precedente”, afirmou.

A vereadora Amanda Vettorazzo (União Brasil), coordenadora da campanha, chamou Renan de “líder de sua geração” e destacou a participação de jovens no projeto político.

Pelo calendário eleitoral, os partidos têm até 5 de agosto para realizar as convenções partidárias e oficializar candidaturas e coligações. O prazo para registro das candidaturas na Justiça Eleitoral termina em 15 de agosto. A propaganda eleitoral começa no dia 16.

‘LIVRO AMARELO’ REÚNE PROPOSTAS DO PARTIDO

Além das candidaturas, o Missão apresentou durante o congresso o “Livro Amarelo”, publicação que reúne as principais propostas da legenda para o país.

Elaborado em seis fascículos, o projeto foi apresentado como uma espécie de programa de governo do partido. Segundo Kim Kataguiri, um dos fundadores do MBL, a publicação aborda temas como segurança pública, competitividade, defesa e meio ambiente. A versão mais básica do material custa R$ 140.

O coordenador do projeto, Orlando Lima, afirmou que o livro representa a base de um projeto para “governar, reconstruir e civilizar” o Brasil.

A publicação é dividida em 14 capítulos distribuídos em três volumes. Entre as propostas apresentadas está um amplo programa de ajuste fiscal, estimado pelo partido em R$ 3,3 trilhões, descrito pelos integrantes da legenda como o maior ajuste fiscal da história do país e superior, em dimensão, ao Plano Real.

Os demais volumes reúnem propostas para estimular a economia, promover reformas e ampliar a atuação do Brasil no cenário internacional.

Entre as medidas citadas estão a recuperação do chamado “soft power brasileiro”, a redução da fila do Sistema Único de Saúde (SUS) e mudanças na área da educação.

Kim Kataguiri também anunciou a criação do Instituto Livro Amarelo, que deverá elaborar programas estaduais e municipais para candidatos do partido.

QUEM É RENAN SANTOS

Aos 42 anos, Renan Santos é empresário, ativista político e uma das principais lideranças do Movimento Brasil Livre.

Entre 2015 e 2016, participou de manifestações que defendiam o impeachment da então presidente Dilma Rousseff, incluindo a chamada “Marcha pela Liberdade”, que percorreu o trajeto entre São Paulo e Brasília.

Paulistano, Renan cursou Direito na Universidade de São Paulo (USP), mas não concluiu a graduação. Ao lado de outros integrantes do MBL, participou da criação do partido Missão.

A legenda informou ter recolhido mais de 800 mil assinaturas para obter o registro, número apresentado como recorde entre novas siglas no país.

O partido recebeu o registro da Justiça Eleitoral no fim de 2025 e disputará sua primeira eleição. Até o momento, a legenda não anunciou alianças com outras siglas.

SEGURANÇA PÚBLICA É UMA DAS PRINCIPAIS BANDEIRAS

A segurança pública e o combate ao crime organizado estão entre os principais temas da candidatura de Renan Santos.

O candidato defende o endurecimento das penas para crimes violentos, medidas para combater o controle territorial exercido por facções criminosas e a adoção do que chama de “Direito Penal do Inimigo”.

Segundo a proposta apresentada pelo candidato, integrantes de facções seriam tratados como “inimigos do Estado”, com mudanças nas garantias jurídicas para pessoas identificadas como integrantes dessas organizações ou que estejam portando fuzis.

Entre outras propostas defendidas por Renan estão a criação de metas para prefeitos condicionadas à possibilidade de reeleição, a substituição da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) por um modelo de negociação direta entre contratantes e contratados, a extinção da Justiça do Trabalho, a criação de uma reserva nacional em criptomoedas e uma ampla redução de gastos públicos.

O candidato também defende uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que, segundo o partido, permitiria uma economia de R$ 3,3 trilhões ao longo de dez anos.



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