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A crise interna na Fifa ganhou novos capítulos nesta terça-feira (4), após dirigentes e entidades do futebol ampliarem as críticas ao presidente da entidade, Gianni Infantino, em meio às consequências da proposta, posteriormente retirada, de vender uma participação nos direitos comerciais da Copa do Mundo.

O projeto previa a captação de cerca de US$ 4,2 bilhões por meio da criação de uma nova estrutura responsável pela exploração comercial do torneio, abrindo espaço, pela primeira vez, para a participação de investidores privados nos negócios relacionados ao Mundial. A proposta foi abandonada na última sexta-feira após forte reação de lideranças do futebol internacional.

Depois do recuo, Infantino reconheceu que a iniciativa provocou divisão entre as entidades ligadas ao esporte e pediu desculpas pelo desgaste causado. Ainda assim, o episódio abalou sua posição política dentro da Fifa, onde vinha mantendo amplo apoio desde que assumiu a presidência, em 2016.

Em comunicado interno enviado aos funcionários da entidade, o secretário-geral da Fifa, Mattias Grafstrom, classificou os acontecimentos como uma sequência de episódios “tristes e repreensíveis” que culminaram no abandono definitivo do projeto. Sem citar Infantino diretamente, ele pediu que os colaboradores mantivessem o foco nas atividades da entidade e no atendimento às 211 federações filiadas, em conformidade com os estatutos da organização.

Outro nome de peso da Fifa, Arsène Wenger, chefe de Desenvolvimento Global do Futebol e consultor técnico do International Football Association Board (IFAB), afirmou que não participou das discussões sobre a proposta e que tomou conhecimento da iniciativa apenas por meio da imprensa. Em nota, declarou que a retirada do projeto era necessária e defendeu uma Fifa independente, pautada pela transparência, integridade e compromisso com o futebol.

Nos bastidores, a crise também alimentou especulações sobre uma possível tentativa de afastamento de Infantino da presidência da entidade. Reportagens da imprensa internacional apontam que três confederações continentais estariam articulando um movimento para pressionar pela saída do dirigente.

O desgaste já se reflete entre federações nacionais. Cinco associações europeias, incluindo a Federação Inglesa de Futebol (FA), retiraram formalmente o apoio à reeleição de Infantino durante o Congresso da Fifa realizado em março, no Marrocos. A Federação Dinamarquesa também informou que não pretende votar no dirigente em futuras eleições.

Em contrapartida, federações de países como Marrocos, Catar, Kuwait, Líbano e Sri Lanka manifestaram apoio público à permanência de Infantino no comando da entidade. Líderes do futebol africano também divulgaram notas defendendo o presidente e apoiando a decisão de abandonar o projeto.

Embora apenas uma parcela das 211 federações filiadas tenha se posicionado oficialmente até o momento, o episódio provocou desgaste entre importantes confederações continentais. A Uefa e a Concacaf divulgaram manifestações afirmando que perderam a confiança na liderança de Infantino, enquanto a Confederação Asiática de Futebol (AFC) classificou como “totalmente inaceitável” a falta de consulta sobre a proposta e defendeu reformas institucionais na Fifa.

Segundo o jornal britânico The Times, Uefa, Concacaf e AFC discutem formas de aumentar a pressão sobre o presidente da Fifa, incluindo medidas que poderiam paralisar a entidade ou até incentivar a criação de novas competições caso Infantino permaneça no cargo. As entidades citadas não confirmaram oficialmente a informação. A Uefa informou apenas que encaminhou à Fifa um pedido formal para preservação de documentos relacionados ao projeto, enquanto avalia a adoção de eventuais medidas judiciais.



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