O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino afirmou, neste domingo (16), que um vídeo em que aparece na praia, abrindo a porta de um carro, é antigo e foi gravado em 2023, antes de sua posse na Corte.

Segundo Dino, o veículo mostrado nas imagens era particular. A manifestação ocorreu após a circulação do vídeo e de comentários relacionando as imagens à discussão sobre segurança e exposição de autoridades públicas.
Em sua publicação, Dino afirmou que o registro não ocorreu durante o período em que já exercia o cargo de ministro do STF e pediu que jornalistas e comentaristas que tenham divulgado informações incorretas façam as devidas correções.
Na íntegra, Flávio Dino escreveu: “Informo, mais uma vez, que esse VÍDEO em que apareço na praia – abrindo a porta de um carro – é BEM ANTIGO, quando NÃO ERA ministro do STF. E aquele carro mostrado é PARTICULAR. Basta ver a data no print: maio de 2023. Minha posse no STF foi em 2024. De todo modo, ASSASSINOS e criminosos em geral não respeitam locais de lazer e o horário de expediente normal dos servidores públicos. Pessoas que não cumprem as leis penais não obedecem leis trabalhistas e administrativas sobre jornadas laborais, nem leis de proteção a crianças e adolescentes. Destaco que “aceitar” ser alvo de crimes não se insere no rol de minhas obrigações funcionais. Lamento que a indústria criminosa de fake news e manipulações gere ainda mais ÓDIOS, com isso mais ataques e, portanto, mais necessidade de segurança, em um ciclo sem fim. O cumprimento das leis, a boa apuração jornalística e a reflexão serena são FONTES essenciais para realmente defender a liberdade. Afinal, não existem liberdades para mentir, agredir, perseguir, ameaçar, atacar, matar. Tampouco para tentar intimidar juízes. Sobre essa mentira do vídeo na praia – que é de 2023 e com carro particular – espero que jornalistas, comentaristas de TV e demais autores de postagens corrijam, em nome da ética (a fonte da verdade).”
JORNALISTA CONTESTA COMPARAÇÃO
O jornalista Luís Pablo, por sua vez, reagiu à postagem de Flávio Dino e afirmou que o vídeo mencionado por ele não foi divulgado em suas reportagens e que a comparação feita pelo ministro mistura situações diferentes.
Segundo Luís Pablo, o registro de 2023 ocorreu quando Dino ainda era senador eleito e, portanto, ocupava um dos cargos de maior relevância da República.
Para o jornalista, por se tratar de uma figura pública em um local público, o fato de ter sido fotografado ou filmado não significaria, por si só, que sua vida estivesse sendo colocada em risco.
Luís Pablo também criticou a utilização do assassinato de um promotor que investigava o crime organizado como referência para comparar situações distintas.
Para ele, os contextos não são equivalentes e a associação acaba desviando o debate dos fatos apresentados em sua reportagem.
Em declaração, o jornalista afirmou: “O ministro acabou de postar em sua rede social. A comparação feita por Flávio Dino é desproporcional e mistura situações completamente distintas. O vídeo citado por ele, de 2023, nunca foi divulgado nas minhas reportagens e nada tem a ver com a denúncia jornalística que fiz. Naquela época, Dino era senador eleito e ocupava um dos cargos mais importantes da República. Como qualquer figura pública, estava naturalmente sujeito a ser fotografado ou filmado em um local público, o que, por si só, não significa colocar sua vida em risco. Mais grave ainda é usar como referência o assassinato de um promotor que investigava o crime organizado para estabelecer uma comparação com esse tipo de registro. São contextos absolutamente distintos, e misturá-los apenas desvia o debate dos fatos efetivamente revelados pela reportagem”.
VEJA O VÍDEO:
