Um vídeo que reúne documentos judiciais, consultas ao Conselho Federal de Medicina (CFM) e trechos de processos passou a circular nas redes sociais trazendo novas informações sobre dois médicos apontados como integrantes da equipe do Hospital Municipal da Criança Dr. Odorico Amaral de Matos, em São Luís. O material faz referência a investigações criminais, registros profissionais e decisões da Justiça, além de cobrar explicações da Prefeitura de São Luís, da Secretaria Municipal de Saúde (Semus), do Instituto Brasileiro de Serviços Médicos (IBMED), responsável pela gestão das UTIs pediátricas, e do Conselho Regional de Medicina do Maranhão (CRM-MA).
O conteúdo começa tratando do médico José Ferreira de Castro, inscrito no CRM-MA sob o número 6.247. Durante a gravação, é exibida uma consulta ao sistema do Conselho Federal de Medicina na qual o profissional aparece com registro ativo e regular, mas sem especialidade cadastrada. A partir dessa informação, o autor do vídeo afirma que José Ferreira se apresentava como neuropediatra, embora essa especialidade não apareça na consulta mostrada durante a gravação.
Na sequência, são exibidos documentos da Delegacia Regional de Itapecuru-Mirim relacionados à prisão em flagrante do médico, ocorrida em fevereiro de 2025, por um caso de importunação sexual. O vídeo também apresenta decisão judicial que concedeu liberdade provisória ao profissional, indicando que o processo continua em tramitação.
O segundo caso envolve a médica Naíra Barros da Silva Vasconcelos, inscrita no CRM-MA sob o número 6.727. Assim como no caso anterior, o vídeo mostra consulta ao cadastro do Conselho Federal de Medicina indicando registro ativo e regular, sem especialidade registrada. Em seguida, aparecem imagens de perfis atribuídos à médica em redes sociais, nos quais ela se apresenta como especialista em medicina intensiva neonatal e pediátrica, informação confrontada pelo autor da gravação com os dados exibidos na consulta ao CFM.
O vídeo também reúne documentos de um processo que tramita na Vara Única da Comarca de Bom Jardim. Entre eles estão auto de prisão em flagrante, peças da investigação e consulta ao sistema do Tribunal de Justiça do Maranhão que identifica uma ação penal por tentativa de homicídio tendo Naíra Barros da Silva Vasconcelos como ré. Também são mostradas decisões judiciais relacionadas ao andamento do processo, entre elas a substituição da prisão preventiva por medidas cautelares e documentos que fazem referência à instauração de incidente de insanidade mental para avaliação médica no curso da ação.
Além dos processos, o autor afirma que os dois médicos prestaram serviços no Hospital da Criança durante a gestão do IBMED e questiona os critérios adotados para a contratação dos profissionais que atuam nas UTIs pediátricas. O vídeo ainda sustenta que uma das médicas teria divulgado documentos sigilosos de pacientes, situação que, se confirmada pelas autoridades competentes, poderá ser objeto de investigação.
As informações passam a circular enquanto o Hospital da Criança continua sendo alvo de investigações relacionadas às mortes de crianças nas UTIs pediátricas. O caso já mobiliza o Ministério Público, a Defensoria Pública, a Polícia Civil e outros órgãos de fiscalização, além de familiares que cobram esclarecimentos sobre a assistência prestada na unidade.
A Defensoria Pública do Maranhão também ingressou com uma ação civil pública contra o Município de São Luís e o IBMED, apontando possíveis falhas na prestação do serviço, deficiência no quadro de profissionais e problemas estruturais nas UTIs pediátricas. A ação pede que medidas sejam adotadas para garantir condições adequadas de atendimento às crianças.
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