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A Prefeitura de São Luís iniciou as obras de restauração e requalificação de um casarão histórico localizado na Rua de Nazaré (Rua Joaquim Távora), nº 135, no Centro Histórico da capital.

O imóvel passará a funcionar como anexo do Museu da Gastronomia Maranhense (MGM), ampliando a estrutura do equipamento cultural e fortalecendo as ações de preservação do patrimônio arquitetônico da cidade.

A assinatura da Ordem de Serviço ocorreu durante cerimônia realizada na Praça da Criança, conhecida como Praça do Reggae, ao lado do casarão. A iniciativa é coordenada pela Fundação Municipal de Patrimônio Histórico (Fumph), em parceria com o Governo Federal, por meio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

O investimento na obra é de R$ 5.268.956,18, com prazo estimado de execução de 360 dias. Os recursos são provenientes do Novo PAC Patrimônio Cultural, do Governo Federal, e foram destinados por meio de Termo de Compromisso firmado entre o IPHAN e a Fumph, com participação do Município de São Luís. O objetivo é ampliar as ações de conservação do patrimônio histórico, fortalecer o Centro Histórico e incentivar políticas públicas voltadas à cultura e ao turismo.

Depois de restaurado, o prédio ficará sob gestão da Secretaria Municipal de Turismo (Setur) e será integrado ao Museu da Gastronomia Maranhense pelos pavimentos superiores. A ampliação permitirá aumentar os espaços destinados às atividades administrativas, educativas, culturais e de qualificação profissional, consolidando o museu como uma referência na promoção da cultura e da gastronomia maranhense.

Durante a solenidade, a prefeita Esmênia Miranda destacou que a preservação dos imóveis históricos representa também a valorização da identidade cultural da cidade.

Segundo a gestora, conservar edifícios históricos significa proteger a memória coletiva da população e reconhecer que a história de São Luís está presente não apenas em sua arquitetura, mas também nas tradições, na gastronomia e nas manifestações culturais que fazem parte da identidade do município. Ela ressaltou ainda que o trabalho desenvolvido pela Fundação Municipal de Patrimônio Histórico tem garantido importantes avanços na recuperação de edificações históricas e na captação de investimentos para novas intervenções.

A restauração do casarão contempla uma série de serviços especializados para recuperar as características originais do imóvel. Estão previstos a recuperação de paredes e revestimentos, restauração dos pisos e elementos em pedra de lioz, recuperação das estruturas de madeira, restauração das esquadrias, tratamento dos gradis, revisão completa da cobertura, implantação de novas instalações elétricas e hidráulicas, além de adaptações para garantir acessibilidade.

O projeto inclui ainda a instalação de elevador, cadeira elevatória e sanitários adaptados, permitindo que o edifício atenda às normas de inclusão sem comprometer suas características históricas. Também serão realizadas intervenções que possibilitarão a integração física entre o casarão restaurado e o atual Museu da Gastronomia Maranhense.

A nova estrutura contará com salas administrativas, biblioteca, recepção, salas de aula, espaço para professores, cantina, áreas de convivência e um auditório com capacidade para aproximadamente 73 pessoas. O espaço será utilizado para cursos de capacitação em turismo, atividades educativas e ações culturais promovidas pelo museu.

A presidente da Fundação Municipal de Patrimônio Histórico, Kátia Bogéa, afirmou que a intervenção representa mais um passo importante para preservar o Centro Histórico de São Luís. Ela destacou que o imóvel apresentava risco de comprometimento estrutural e que a restauração devolverá ao prédio uma função social voltada à cultura e à educação, resultado da parceria entre a Prefeitura e o Governo Federal.

Kátia também ressaltou os resultados obtidos pelo programa de educação patrimonial desenvolvido pela Fumph em conjunto com a Secretaria Municipal de Educação (Semed), considerado o maior programa contínuo da área no país. Segundo ela, conscientizar crianças e jovens sobre a importância do patrimônio é fundamental para garantir sua preservação no futuro.

Representando o IPHAN no Maranhão, o superintendente Júnior Verde destacou que a recuperação de edifícios históricos gera impactos positivos que vão além da preservação da memória. De acordo com ele, um Centro Histórico bem conservado impulsiona o turismo, fortalece o comércio, estimula a geração de empregos e contribui para o desenvolvimento econômico da cidade.

Já a secretária adjunta da Secretaria Municipal de Turismo, Silvia Romana Santos, ressaltou que a ampliação do Museu da Gastronomia permitirá expandir as atividades desenvolvidas pelo equipamento. Ela lembrou que o museu está entre os cinco espaços culturais mais visitados do Maranhão e recebe um grande número de visitantes maranhenses, cenário que deverá ser fortalecido com a criação do novo anexo.

O casarão integra a área tombada do Conjunto Arquitetônico e Paisagístico de São Luís, reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como Patrimônio Mundial desde 1997. Todo o projeto foi desenvolvido para preservar as características originais da edificação, conciliando as exigências técnicas da restauração com as adaptações necessárias para sua nova utilização. A execução será acompanhada por profissionais especializados em conservação de bens históricos.

A assinatura da Ordem de Serviço marcou também a abertura oficial da programação do Mês do Patrimônio Cultural em São Luís. Durante todo o mês de agosto, a Prefeitura promoverá uma série de atividades voltadas à valorização do patrimônio material e imaterial da capital, em celebração ao Dia Nacional do Patrimônio Cultural, comemorado em 17 de agosto.

Entre as ações previstas estão seminários, palestras, atividades de educação patrimonial, entrega de obras de restauração, lançamento do podcast “O Patrimônio Vivo”, com relatos de mestres da cultura popular maranhense, e a continuidade do programa Patrimônio nas Escolas.

A programação também inclui a campanha “Vandalismo Não é Legal”, iniciativa da Fumph que busca conscientizar a população sobre a importância da preservação dos monumentos, imóveis históricos e demais bens culturais da cidade, reforçando que a conservação do patrimônio depende da participação conjunta do poder público e da sociedade.



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