O governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), reagiu na noite desta sexta-feira (14) à divulgação de informações de investigações da Polícia Federal que o apontam como “provável líder” de uma organização criminosa suspeita de desvio de recursos públicos e de envolvimento em desdobramentos relacionados ao assassinato de João Bosco Sobrinho Pereira de Oliveira, ocorrido em 2022.

Em publicação, Brandão classificou as acusações como falsas e afirmou ser alvo de perseguição. “Falsas acusações não cabem a quem não tem culpa. Vê-se a reedição do roteiro de um assassinato e muitas outras inverdades sendo propagadas contra mim”, declarou.
O governador também afirmou que a perseguição teria começado em 2024, após ele rejeitar, segundo sua versão, “propostas indecorosas”. Brandão ainda questionou a atuação de investigadores e julgadores no caso. “Não há sigilo nesses perseguidores para inventarem tantos absurdos, mas devia haver impedimento de julgar quem é tratado como adversário”, afirmou. Ao final, disse confiar no esclarecimento dos fatos: “Tenho confiança de que a verdade prevalecerá”.
As declarações ocorreram após o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo de dois inquéritos relacionados a investigações sobre corrupção no Maranhão, organização criminosa, obstrução da Justiça e coação de testemunhas.
Segundo informações apresentadas pela Polícia Federal na investigação, Brandão aparece como possível integrante do núcleo de comando de uma organização suspeita de atuar no desvio de recursos públicos por meio de emendas parlamentares. A decisão de Dino, no entanto, ressalta que a fase atual da apuração não representa uma conclusão definitiva sobre crimes, autoria ou participação, mas reúne indícios utilizados para justificar medidas cautelares.
A investigação também relaciona o caso ao assassinato de João Bosco, ocorrido em agosto de 2022. Para a PF, a morte teria ocorrido em meio a uma disputa envolvendo pagamentos supostamente ilícitos. Gilbson César Soares Cutrim Júnior, posteriormente condenado pelo homicídio, é apontado pelos investigadores como operador do esquema.
De acordo com a PF, Daniel Itapary Brandão, sobrinho do governador, participou de uma reunião realizada antes dos disparos. A investigação afirma ainda que Gilbson teria mantido interlocução com Daniel e com Carlos Brandão. A PF também apura suspeitas de que testemunhas tenham sido orientadas a alterar versões sobre o caso.
Entre os elementos citados está o ex-secretário Raimundo Soares Cutrim, apontado pela investigação como interlocutor da família Brandão. Segundo depoimentos reunidos pela PF, Cutrim teria procurado familiares de Gilbson após o crime e participado de tratativas envolvendo mudanças nos relatos apresentados à polícia. A investigação também cita pagamentos em dinheiro que, segundo depoimentos, teriam chegado a R$ 160 mil.
Outro eixo da apuração envolve supostos desvios de recursos públicos por meio de emendas parlamentares. A PF identificou notas fiscais emitidas em nome de Carlos Brandão que, segundo os investigadores, apresentariam dados de contato coincidentes com os utilizados por uma empresa que recebeu recursos públicos.
O caso também envolve o senador Weverton Rocha (PDT), citado na investigação por uma suposta atuação para dificultar o avanço da apuração do homicídio. O parlamentar também nega as acusações.
A defesa de Raimundo Cutrim afirmou que ainda não teve acesso à íntegra dos autos e disse possuir apenas informações divulgadas pela imprensa. Já o ministro aposentado do STJ Humberto Martins informou que não comentará o caso porque o processo tramita sob segredo de Justiça.
