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A ausência de Eduardo Braide no debate promovido pela Band e pela Mais FM provocou críticas e reacendeu o debate sobre a postura do pré-candidato ao Governo do Maranhão diante da imprensa e dos diferentes espaços de discussão eleitoral.

Em editorial, Jornal Pequeno questiona a estratégia de comunicação de Braide e aponta o que classifica como uma crescente “soberba” política, marcada pela preferência por ambientes de maior audiência e controle sobre a própria imagem. Veja o editorial na íntegra:

A ausência de Eduardo Braide no debate da Band expõe um problema que vai além de uma cadeira vazia. Revela uma estratégia que começa a dar sinais de excesso de confiança: a tentativa de conduzir uma disputa estadual como se o candidato já ocupasse o centro incontestável da eleição.

É uma espécie de síndrome eleitoral do protagonista. O candidato passa a agir como se os acontecimentos políticos somente ganhassem importância quando ele decide participar deles. Escolhe o ambiente, determina a plataforma, privilegia os espaços de maior audiência e mantém sua comunicação concentrada em canais nos quais possui elevado controle sobre a própria imagem.

Essa lógica funciona muito bem nas redes sociais. Em uma eleição para governador, entretanto, encontra limites evidentes.

Braide construiu uma máquina digital eficiente. Vídeos bem produzidos, linguagem direta, alto alcance e domínio do ritmo das redes garantem presença constante no celular do eleitor. Mas engajamento não é presença territorial, visualização não é voto e algoritmo não substitui capilaridade política.

Esse talvez seja um dos riscos centrais de sua estratégia.

Uma candidatura ao Governo do Maranhão exige sair de uma comunicação predominantemente unilateral e enfrentar ambientes onde não existe controle absoluto: debate, entrevista, questionamento da imprensa, confronto com adversários, lideranças municipais e contato político fora da bolha digital.

Ao rejeitar um debate previamente organizado e, principalmente, justificar que participará daquele promovido pela televisão de maior audiência, Braide transmite algo politicamente delicado: não parece escolher apenas onde falar; parece estabelecer quem merece ouvi-lo.

Foi justamente essa percepção que tornou a reação oficial da Band tão dura.

A emissora não reclamou apenas da ausência. Contestou o princípio utilizado para justificá-la. Quando uma empresa com trajetória histórica na realização de debates eleitorais precisa recordar publicamente que “nenhum eleitor vale menos”, a discussão deixa de ser sobre programação de campanha e passa a alcançar a maneira como um candidato compreende a própria relação com a imprensa e com diferentes parcelas da sociedade.

Existe aí um componente de desvalorização institucional.

Ao reduzir implicitamente a importância de um debate ao tamanho da audiência da emissora que o realiza, Braide termina diminuindo não apenas a Band e a Mais FM, mas também profissionais, ouvintes e telespectadores que acompanham esses veículos. O eleitor de uma emissora menor não possui um voto menor.

E esse é precisamente o ponto em que a estratégia de protagonismo começa a produzir arrogância como percepção política.

Braide parece trabalhar com a vantagem de quem acredita que pode selecionar os espaços aos quais concede legitimidade. A campanha deixa de disputar atenção e passa a agir como se a atenção pública já lhe pertencesse.

Há, porém, uma diferença enorme entre ser protagonista das redes e ser protagonista de uma eleição estadual.

Nas redes, o candidato publica, edita, escolhe o enquadramento e conversa majoritariamente com uma audiência que voluntariamente o acompanha. Num debate, perde esse controle. Há adversários, perguntas imprevistas, contrapontos e cobrança pública. É exatamente esse desconforto que torna o debate eleitoral relevante.

Por isso, a justificativa de que estaria dirigindo pelo Maranhão para “conhecer” o estado soa politicamente pobre quando confrontada com sua própria biografia. Braide não é um recém-chegado à política maranhense. Nasceu em uma família de tradição política, foi deputado estadual, deputado federal, prefeito da capital e agora pretende governar o Estado.

Conhecer profundamente o Maranhão é necessário. Mas apresentar essa necessidade como razão para faltar a um compromisso eleitoral marcado com antecedência produz uma pergunta inevitável: por que um candidato experiente, avisado previamente sobre o debate, não conseguiu organizar sua agenda para fazer as duas coisas?

A explicação passa a parecer menos logística e mais estratégica.

E estratégias também comunicam.

A de Braide comunica hoje uma preferência cada vez mais evidente pela comunicação de grande alcance e alto controle. O problema é que política não acontece exclusivamente onde o candidato consegue controlar câmera, roteiro e publicação.

Talvez Braide esteja começando a acreditar excessivamente no personagem político que construiu: o gestor autossuficiente, popular, independente das estruturas tradicionais e capaz de conversar diretamente com a população.

Esse personagem funcionou eleitoralmente até aqui.

Mas existe um ponto em que independência pode ser percebida como isolamento; segurança pode parecer soberba; domínio de comunicação pode parecer necessidade de controle; e protagonismo pode se transformar na impressão de que todo espaço que não gira ao redor do candidato é secundário.

É uma fronteira perigosa.

Porque eleição não é uma sequência de vídeos com milhões de visualizações. É território, estrutura, rejeição, alianças, comparecimento, capacidade de diálogo e, finalmente, voto.

Braide pode ter enorme audiência.

O que ainda precisa demonstrar é se conseguirá transformar audiência em Maranhão.

A ausência de Eduardo Braide no debate da Band expõe um problema que vai além de uma cadeira vazia. Revela uma estratégia que começa a dar sinais de excesso de confiança: a tentativa de conduzir uma disputa estadual como se o candidato já ocupasse o centro incontestável da eleição.

É uma espécie de síndrome eleitoral do protagonista. O candidato passa a agir como se os acontecimentos políticos somente ganhassem importância quando ele decide participar deles. Escolhe o ambiente, determina a plataforma, privilegia os espaços de maior audiência e mantém sua comunicação concentrada em canais nos quais possui elevado controle sobre a própria imagem.

Essa lógica funciona muito bem nas redes sociais. Em uma eleição para governador, entretanto, encontra limites evidentes.

Braide construiu uma máquina digital eficiente. Vídeos bem produzidos, linguagem direta, alto alcance e domínio do ritmo das redes garantem presença constante no celular do eleitor. Mas engajamento não é presença territorial, visualização não é voto e algoritmo não substitui capilaridade política.

Esse talvez seja um dos riscos centrais de sua estratégia.

Uma candidatura ao Governo do Maranhão exige sair de uma comunicação predominantemente unilateral e enfrentar ambientes onde não existe controle absoluto: debate, entrevista, questionamento da imprensa, confronto com adversários, lideranças municipais e contato político fora da bolha digital.

Ao rejeitar um debate previamente organizado e, principalmente, justificar que participará daquele promovido pela televisão de maior audiência, Braide transmite algo politicamente delicado: não parece escolher apenas onde falar; parece estabelecer quem merece ouvi-lo.

Foi justamente essa percepção que tornou a reação oficial da Band tão dura.

A emissora não reclamou apenas da ausência. Contestou o princípio utilizado para justificá-la. Quando uma empresa com trajetória histórica na realização de debates eleitorais precisa recordar publicamente que “nenhum eleitor vale menos”, a discussão deixa de ser sobre programação de campanha e passa a alcançar a maneira como um candidato compreende a própria relação com a imprensa e com diferentes parcelas da sociedade.

Existe aí um componente de desvalorização institucional.

Ao reduzir implicitamente a importância de um debate ao tamanho da audiência da emissora que o realiza, Braide termina diminuindo não apenas a Band e a Mais FM, mas também profissionais, ouvintes e telespectadores que acompanham esses veículos. O eleitor de uma emissora menor não possui um voto menor.

E esse é precisamente o ponto em que a estratégia de protagonismo começa a produzir arrogância como percepção política.

Braide parece trabalhar com a vantagem de quem acredita que pode selecionar os espaços aos quais concede legitimidade. A campanha deixa de disputar atenção e passa a agir como se a atenção pública já lhe pertencesse.

Há, porém, uma diferença enorme entre ser protagonista das redes e ser protagonista de uma eleição estadual.

Nas redes, o candidato publica, edita, escolhe o enquadramento e conversa majoritariamente com uma audiência que voluntariamente o acompanha. Num debate, perde esse controle. Há adversários, perguntas imprevistas, contrapontos e cobrança pública. É exatamente esse desconforto que torna o debate eleitoral relevante.

Por isso, a justificativa de que estaria dirigindo pelo Maranhão para “conhecer” o estado soa politicamente pobre quando confrontada com sua própria biografia. Braide não é um recém-chegado à política maranhense. Nasceu em uma família de tradição política, foi deputado estadual, deputado federal, prefeito da capital e agora pretende governar o Estado.

Conhecer profundamente o Maranhão é necessário. Mas apresentar essa necessidade como razão para faltar a um compromisso eleitoral marcado com antecedência produz uma pergunta inevitável: por que um candidato experiente, avisado previamente sobre o debate, não conseguiu organizar sua agenda para fazer as duas coisas?

A explicação passa a parecer menos logística e mais estratégica.

E estratégias também comunicam.

A de Braide comunica hoje uma preferência cada vez mais evidente pela comunicação de grande alcance e alto controle. O problema é que política não acontece exclusivamente onde o candidato consegue controlar câmera, roteiro e publicação.

Talvez Braide esteja começando a acreditar excessivamente no personagem político que construiu: o gestor autossuficiente, popular, independente das estruturas tradicionais e capaz de conversar diretamente com a população.

Esse personagem funcionou eleitoralmente até aqui.

Mas existe um ponto em que independência pode ser percebida como isolamento; segurança pode parecer soberba; domínio de comunicação pode parecer necessidade de controle; e protagonismo pode se transformar na impressão de que todo espaço que não gira ao redor do candidato é secundário.

É uma fronteira perigosa.

Porque eleição não é uma sequência de vídeos com milhões de visualizações. É território, estrutura, rejeição, alianças, comparecimento, capacidade de diálogo e, finalmente, voto.

Braide pode ter enorme audiência.

O que ainda precisa demonstrar é se conseguirá transformar audiência em Maranhão.



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