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Uma das maiores áreas produtoras de ouro do Brasil está localizada no Maranhão. Trata-se da comunidade de Aurizona, no município de Godofredo Viana, no noroeste do estado, próximo à divisa com o Pará.

É ali que funciona a Mina Aurizona, empreendimento controlado pela empresa chinesa CMOC, responsável pela extração industrial de ouro em larga escala.

A produção da mina movimenta cifras bilionárias. Em um único ano, mais de R$ 1 bilhão em ouro saiu da região para o mercado internacional.

A operação utiliza mineração a céu aberto, com escavadeiras de grande porte e beneficiamento da rocha até a transformação do minério em barras de ouro destinadas à exportação.

Apesar da importância econômica da atividade, a comunidade enfrentou uma grave crise em março de 2021. Naquele período, uma barragem da mineradora se rompeu justamente quando a produção registrava níveis recordes.

Com o rompimento, uma grande quantidade de água barrenta atingiu lagoas da região e o rio Tromaí, fonte de abastecimento utilizada pelos moradores.

A situação comprometeu o acesso à água e obrigou milhares de pessoas a dependerem do fornecimento por caminhões-pipa e galões durante meses.

Laudos apontaram contaminação na água, enquanto moradores relataram problemas de saúde, como doenças de pele, após o episódio. A empresa, por sua vez, afirmou que a estrutura rompida era um reservatório de água da chuva.

Para as famílias da comunidade, porém, os impactos foram duradouros. Muitos afirmam que a rotina nunca voltou a ser a mesma desde o acidente, convivendo com as consequências deixadas pelo rompimento.

O caso também levanta um debate sobre os benefícios da exploração mineral para a população local. Enquanto toneladas de ouro produzidas no Maranhão seguem para o mercado mundial, moradores de uma região rica em recursos naturais enfrentaram dificuldades para ter acesso a um bem essencial: a água.



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