Banner institucional

Representantes do governo dos Estados Unidos e de diversos setores da iniciativa privada participam, nesta segunda-feira (6), de uma audiência pública em Washington para discutir a proposta de aplicação de tarifas de 25% sobre produtos importados do Brasil. A consulta antecede a decisão final do governo norte-americano, prevista para 15 de julho.

Foto: reprodução

A recomendação foi apresentada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), após uma investigação sobre práticas comerciais brasileiras. Entre os pontos citados no relatório estão o Pix, as políticas para o etanol, acordos comerciais considerados preferenciais, além de questões relacionadas ao desmatamento, corrupção e pirataria.

As sessões serão realizadas nesta segunda e terça-feira (7), na Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos, em 14 painéis. Os participantes terão até cinco minutos para apresentar argumentos técnicos sobre os possíveis impactos das tarifas nos setores que representam. O cronograma também prevê perguntas do USTR às entidades participantes.

Entre os inscritos estão importadores, distribuidores, associações empresariais, federações, câmaras de comércio, indústrias, consultorias e outras organizações ligadas às atividades econômicas afetadas. A expectativa é de que representantes do agronegócio brasileiro e compradores americanos do setor tenham participação expressiva nas discussões.

Também devem participar entidades da indústria brasileira, como o Sindicato da Indústria do Ferro no Estado de Minas Gerais (Sindifer), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e a Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas).

As discussões sobre novas tarifas tiveram início em julho de 2025, quando os Estados Unidos abriram uma investigação sobre práticas comerciais do Brasil. Em junho deste ano, o USTR apresentou propostas que incluem uma sobretaxa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros e outra tarifa adicional de 12,5%. Caso ambas sejam adotadas, a cobrança poderá chegar a 37,5%.

O tema também ganhou repercussão política no Brasil. Na semana passada, o senador Flávio Bolsonaro (PL) enviou uma manifestação ao USTR defendendo que o Pix não representa uma prática comercial desleal nem causa prejuízos às empresas americanas de meios de pagamento. No documento, o parlamentar também sugeriu uma legislação para impedir a integração do sistema brasileiro de pagamentos com plataformas internacionais ligadas a países considerados “não ocidentais”. Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atribuiu parte da pressão comercial dos Estados Unidos à atuação de integrantes da família Bolsonaro junto ao governo norte-americano.



Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *