O governo do presidente Lula considera cada vez mais provável que os Estados Unidos confirmem, até a próxima quarta-feira, 15, a ampliação das tarifas sobre produtos brasileiros. Mesmo diante desse cenário, o Palácio do Planalto decidiu manter as negociações diplomáticas abertas até o último momento, na tentativa de evitar a entrada em vigor das novas medidas comerciais.

Na última sexta-feira, Lula reuniu ministros e integrantes da equipe econômica e da área diplomática para avaliar a situação. Participaram do encontro o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Durante a reunião, foi discutida a possibilidade de um novo contato com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, embora nenhuma reunião tenha sido confirmada até o momento.
Caso a decisão americana seja mantida, as tarifas poderão elevar em 25% a taxação sobre produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano. O governo brasileiro pretende aguardar a divulgação da lista oficial dos itens atingidos antes de definir quais medidas serão adotadas em resposta.
A investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos teve início em julho de 2025, por determinação do presidente Donald Trump, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O relatório elaborado pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) aponta práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano, incluindo críticas ao funcionamento do Pix e a decisões da Justiça brasileira envolvendo plataformas digitais.
Segundo integrantes do governo, o Brasil não pretende fazer concessões em temas considerados estratégicos, como o sistema de pagamentos instantâneos operado pelo Banco Central. A avaliação é de que qualquer reação dependerá do alcance das medidas anunciadas pelos Estados Unidos.
Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que cerca de 4,1 mil produtos brasileiros poderão ser afetados pelas novas tarifas. Entre eles estão açúcar bruto, álcool etílico, molduras de madeira e hidróxido de alumínio. Após a decisão americana, o governo deverá definir a estratégia de resposta, incluindo a possibilidade de adoção de medidas de reciprocidade, que ainda não está sendo tratada oficialmente devido à indefinição sobre quais produtos serão alvo das sanções.
