Uma série de pesquisas do Datafolha divulgadas revela mudanças importantes na forma como os brasileiros enxergam o papel do Estado, a economia e temas sociais.
Os levantamentos integram a chamada matriz ideológica do instituto, que reúne indicadores sobre valores econômicos e comportamentais da população.

Os dados foram coletados presencialmente com 2.004 eleitores de 16 anos ou mais, em 139 municípios, entre os dias 17 e 18 de junho.
A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%, e a pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09956/2026.
Impostos
No eixo econômico, o levantamento indica que 50% dos brasileiros preferem pagar menos impostos e recorrer a serviços privados de saúde e educação. Já 44% defendem o caminho oposto: maior carga tributária em troca de serviços públicos gratuitos.
O resultado representa uma mudança em relação a 2022, quando havia praticamente empate técnico — 46% defendiam menos impostos e 48% preferiam mais tributos para financiar serviços públicos.
O indicador é usado pelo Datafolha para medir a percepção da população sobre o papel do Estado na economia, ao lado de outros temas como políticas sociais, regulação trabalhista e investimento público.
Diferenças entre perfis sociais
A pesquisa mostra divergências relevantes entre grupos:
- Homens: 56% preferem menos impostos e serviços privados
- Mulheres: 50% defendem mais impostos e serviços públicos
Por religião:
- Evangélicos: 56% preferem menor carga tributária
- Católicos: empate técnico, com 47% em cada posição
Na divisão por voto:
- Eleitores de Lula (PT): 59% defendem mais impostos e serviços públicos
- Eleitores de Flávio Bolsonaro (PL): 65% preferem menos impostos e serviços privados
Menor dependência do governo
Outro indicador aponta que 65% dos brasileiros concordam com a frase “quanto menos eu depender do governo, melhor estará minha vida”, o maior percentual desde o início da série histórica em 2013.
Já 31% afirmam que “quanto mais benefícios do governo eu tiver, melhor estará minha vida”. Outros 4% não souberam responder.
Na primeira medição, em 2013, havia empate entre as duas visões (47% para cada lado). Desde então, a diferença vem crescendo de forma contínua.
Diferenças regionais e políticas
- Homens: 71% defendem menor dependência do Estado
- Mulheres: 59%
Por região:
- Sudeste: 70% preferem menos dependência do governo
- Nordeste: 38% defendem mais benefícios estatais
Na intenção de voto:
- Lula (PT): 50% dizem que menos dependência melhora a vida
- Flávio Bolsonaro (PL): 79% defendem menor dependência
Percepção sobre pobreza
O levantamento também mostra uma alteração relevante na forma como os brasileiros explicam a pobreza. Em 2026, 40% afirmam que a pobreza está ligada à “preguiça de pessoas que não querem trabalhar”.
Em 2022, esse índice era de 22%. Ao mesmo tempo, caiu a parcela que associa pobreza à falta de oportunidades, de 76% para 58%, embora essa ainda seja a visão majoritária.
Diferenças por renda e perfil
- Até 2 salários mínimos: distribuição semelhante à média nacional
- Acima de 10 salários mínimos: 63% apontam falta de oportunidades
- Empresários: 56% citam “preguiça”
- Funcionários públicos: 28% defendem essa visão
Por idade:
- 16 a 24 anos: 74% atribuem à falta de oportunidades
- 60 anos ou mais: empate técnico entre as duas visões
Por voto:
- Lula (PT): 70% apontam falta de oportunidades
- Flávio Bolsonaro (PL): 52% citam “preguiça”
Punição de adolescentes
Outro eixo da pesquisa indica que 70% dos brasileiros defendem que adolescentes que cometem crimes sejam punidos como adultos. Em 2022, esse índice era de 65%.
Já 27% preferem foco em reeducação, enquanto 3% não responderam.
Recorte por perfil
- Evangélicos: 75% apoiam punição como adulto
- Católicos: 72%
Na intenção de voto:
- Flávio Bolsonaro (PL): 81% favoráveis
- Lula (PT): 61% favoráveis
Drogas e homossexualidade
A maioria dos brasileiros continua contrária à descriminalização das drogas: 85% defendem a proibição, enquanto 13% são favoráveis à liberação. O resultado está estável em relação a 2022, dentro da margem de erro.
A pesquisa também aponta queda na aceitação da homossexualidade: 72% afirmam que deve ser aceita por toda a sociedade, contra 79% em 2022. Outros 20% dizem que deve ser desencorajada.
Apesar da retração recente, o índice ainda é superior aos primeiros registros da série histórica.
Diferenças por perfil
Por religião:
- Católicos: 75% defendem aceitação
- Evangélicos: 61%
Por gênero:
- Mulheres: 76%
- Homens: 69%
Por voto:
- Lula (PT): 81% defendem aceitação
- Flávio Bolsonaro (PL): 65%
