Ao se aproximar do bolsonarismo, ex-prefeito tenta atingir os principais aliados de Lula no estado e esconder a falta de projeto para o Maranhão
Por que Eduardo Braide insiste tanto em atacar o governador Carlos Brandão e Orleans Brandão?

A pergunta precisa ser feita porque um pré-candidato que se diz confortável nas pesquisas deveria estar apresentando propostas, apontando caminhos e dizendo ao povo o que pretende fazer pelo Maranhão. Quem está seguro do próprio projeto debate soluções. Quem conhece o estado fala do futuro.
Braide faz o contrário.
Em vez de apresentar um projeto consistente, prefere atacar. Em vez de dizer como pretende enfrentar os problemas do povo, tenta diminuir conquistas. Em vez de discutir o Maranhão real, aposta em conflitos produzidos para as redes sociais.
Essa postura revela uma visão limitada, arrogante e distante da realidade. Braide age como se o eleitor fosse decidir o futuro do estado apenas por vídeo, corte, frase de efeito e postagem na internet. Mas o Maranhão não cabe em uma rede social. O Maranhão precisa ser ouvido, visitado, compreendido e respeitado.
O incômodo de Braide tem explicação: ele não esperava encontrar pela frente um pré-candidato preparado, disposto ao enfrentamento político e com conhecimento real do estado. Imaginou que poderia atravessar o Maranhão repetindo uma narrativa construída em São Luís. Orleans Brandão desmonta essa ilusão.
Nos últimos anos, como secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans percorreu municípios, conversou com prefeitos, lideranças e comunidades, ouviu demandas e acompanhou de perto os problemas concretos da população. Fez aquilo que Braide mais rejeita: dialogou.
Quando teve a oportunidade de governar São Luís, Braide escolheu uma gestão fechada em si mesma. Pouco ouviu a população, pouco construiu com as comunidades e pouco buscou parceria. Nos temas que exigiam visão de cidade, planejamento e coragem administrativa, empurrou os problemas para debaixo do tapete.
O transporte coletivo é um exemplo evidente. Hoje, Braide tenta atacar o governo do Maranhão falando dos ferry-boats, mas não explica por que deixou São Luís mergulhada em uma crise de mobilidade urbana. Teve tempo para enfrentar o problema dos ônibus. Teve autorização da Câmara Municipal para tratar da licitação. Teve mandato, estrutura e oportunidade. Não resolveu porque não quis ou porque não teve capacidade para resolver.
E, ao sair da Prefeitura, ainda deixou a sucessora com uma cidade pressionada por problemas que ele poderia ter enfrentado, mas preferiu empurrar adiante.
Enquanto usa o ferry-boat como ataque fácil, Braide ignora que o governador Carlos Brandão tem enfrentado o problema da Baixada. O governo do Maranhão ampliou a frota, reconhece que as necessidades da região ainda são grandes e trabalha para estruturar o sistema aquaviário, tão importante para milhares de maranhenses.
A diferença é simples: na Baixada, o povo tem sido ouvido. Em São Luís, na gestão de Braide, escuta, diálogo e construção popular foram praticamente inexistentes.
Outro exemplo concreto está no Residencial Mato Grosso, na Zona Rural de São Luís. São 3 mil casas, com impacto direto na vida de cerca de 12 mil pessoas. É praticamente o tamanho de muitos municípios maranhenses. Um projeto dessa dimensão não pode ser tratado apenas como entrega de parede e telhado.
Precisa de transporte, unidade básica de saúde, escola, assistência, equipamentos públicos, planejamento ambiental e integração com a cidade. Mas Braide não garantiu essa estrutura. Não preparou o sistema de transporte urbano para atender a região. Não construiu uma UBS para acolher essas famílias. Não planejou os equipamentos sociais. Não apresentou uma solução integrada para uma área que vai receber milhares de pessoas.
Também não articulou, como deveria, uma ação conjunta com o governo do Maranhão e com o governo federal. Essa articulação é o mínimo que se espera de qualquer gestor com visão federativa. Um bairro com 3 mil casas não é uma obra qualquer. É uma nova realidade urbana, que exige planejamento de transporte, saúde, educação, assistência social, meio ambiente e infraestrutura.
No caso do Mato Grosso, há ainda uma questão ambiental relevante, pela proximidade com a Bacia de São Marcos. Isso também exigiria atenção e responsabilidade. Mas Braide não fez a parte que cabia ao município.
Coube ao governador Carlos Brandão, em diálogo com o presidente Lula, atuar para que o projeto avançasse. Mas a omissão da gestão municipal deixou uma conta pesada para a população. Porque casa própria é um direito, mas moradia digna exige muito mais do que a chave na mão. Exige acesso a saúde, transporte, mobilidade, serviços públicos e condições reais de vida.
Esse é o ponto que Braide tenta esconder.
Ele prefere atacar Brandão e Orleans porque não consegue explicar a própria omissão. Não explica por que não planejou, por que não dialogou, por que não buscou parcerias e por que deixou São Luís com problemas graves justamente nas áreas que mais afetam a vida da população.
Por isso, quanto mais a realidade da sua gestão aparece, mais agressivo ele fica.
Mas há ainda outro elemento nessa história. Braide não ataca Brandão e Orleans apenas por disputa local. Ao se aproximar da direita e da ultradireita, passou a cumprir um papel político junto ao grupo de Bolsonaro no Maranhão: tentar atingir o presidente Lula por meio dos seus principais aliados no estado.
Brandão e Orleans representam, no Maranhão, o campo político que tem compromisso, relação e força popular para garantir uma grande votação a Lula. Têm estrutura política, presença territorial e diálogo com o povo. Por isso viraram alvo.
No fundo, o ataque de Braide tem dois objetivos: desgastar o governo do Maranhão e enfraquecer o palanque de Lula no estado.
Esse é o acordo político que Braide tenta disfarçar. Para receber o apoio do bolsonarismo, precisa atacar quem está ao lado de Lula no Maranhão. Precisa tentar diminuir a força de Brandão e Orleans porque sabe que os dois têm estrutura política e popular para defender, no estado, o projeto que mais fez pelo povo brasileiro.
Braide quer vender a imagem de gestor moderno, mas deixou problemas profundos em São Luís. Quer falar de Maranhão, mas conhece pouco a realidade do estado. Quer parecer independente, mas se abraça ao grupo de Bolsonaro para fazer oposição aos principais aliados de Lula.
Braide não quer apenas vencer uma eleição. Quer servir de instrumento ao bolsonarismo contra Lula no Maranhão.
O povo do Maranhão sabe reconhecer quem trabalha, quem dialoga e quem está ao seu lado. E sabe também identificar quem aparece apenas para atacar, esconder omissões e transformar ambição pessoal em projeto político.
Por Marlon Botão*, ex-secretário de Cultura de São Luís, marqueteiro e militante político há mais de 40 anos
