A repercussão das denúncias sobre o Hospital da Criança Odorico Amaral de Matos, em São Luís, trouxe uma nova dificuldade para Leiciane Barbosa Lica, mãe do pequeno Otto, de 1 ano e 1 mês que morreu após ser internado na unidade. Além do luto, ela afirma que passou a enfrentar ataques nas redes sociais desde que decidiu tornar pública a história do filho e cobrar a apuração do caso.

Em entrevista ao repórter Erick Souza, da TV Difusora, Leiciane relatou que vem sendo acusada por internautas de explorar a morte da criança por motivos políticos. Ela rejeita as críticas e afirma que nunca utilizou as entrevistas para defender ou atacar qualquer grupo político, mas apenas para relatar a experiência vivida pela família.
A mãe destacou que sua mobilização não começou após a morte de Otto. Segundo ela, os problemas enfrentados durante o tratamento do filho já eram denunciados desde as primeiras passagens pela unidade de saúde, inclusive quando houve mudanças nas equipes médicas responsáveis pelo atendimento.
Leiciane contou ainda que, depois que sua história ganhou repercussão, passou a receber mensagens de outras mães que afirmam ter vivido situações semelhantes no Hospital da Criança. Muitas delas, segundo ela, perderam seus filhos e decidiram procurar a família para compartilhar seus relatos e manifestar apoio.
Para a mãe de Otto, dar visibilidade ao caso é uma forma de evitar que novas famílias enfrentem o mesmo sofrimento. Ela afirma que continuará cobrando esclarecimentos e mudanças na assistência prestada às crianças internadas, ressaltando que cada morte representa uma história interrompida e uma família devastada.
Otto enfrentou sucessivas internações durante o primeiro ano de vida. Em uma delas, chegou a ser transferido para a Maternidade de Alta Complexidade do Maranhão (Materno Infantil), onde apresentou melhora e recebeu alta. Algum tempo depois, desenvolveu uma infecção intestinal, precisou retornar ao Hospital da Criança e morreu na unidade.
A morte do menino integra o conjunto de casos investigados por órgãos de controle que apuram possíveis falhas no atendimento das UTIs pediátricas do Hospital da Criança. O Ministério Público, a Defensoria Pública, a Polícia Civil e o Ministério da Saúde conduzem investigações sobre a assistência prestada aos pacientes e as condições de funcionamento do serviço.
