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A União Europeia (UE) retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne para o bloco por entender que o país não comprovou, dentro do prazo exigido, o cumprimento das regras europeias sobre o uso de antimicrobianos na produção animal. A medida passa a valer em 3 de setembro e não foi motivada por irregularidades encontradas na carne brasileira.

Foto: reprodução

As exigências da UE fazem parte de uma política adotada ao longo das últimas décadas para reduzir o uso de antibióticos na pecuária. Desde 2006, o bloco proíbe o uso dessas substâncias como promotoras de crescimento animal. Em regras ampliadas a partir de 2019, também passou a restringir antimicrobianos utilizados no tratamento de infecções humanas.

Segundo a Comissão Europeia, a medida não está relacionada a uma substância específica, mas ao cumprimento das normas que buscam evitar o uso de produtos destinados a aumentar a produtividade dos animais ou que possam contribuir para a resistência bacteriana.

Entre as substâncias citadas por especialistas está a monensina, amplamente utilizada na pecuária brasileira para melhorar o aproveitamento dos nutrientes e favorecer o ganho de peso dos bovinos. Embora não esteja na lista de antimicrobianos reservados à medicina humana, seu uso como promotor de desempenho pode ser afetado pelas exigências europeias.

Especialistas destacam que o uso terapêutico de antibióticos continua permitido, desde que sejam respeitadas as regras sanitárias e os períodos de carência antes do abate dos animais. O objetivo é evitar resíduos de medicamentos acima dos limites considerados seguros para o consumo humano.

A preocupação da União Europeia está ligada principalmente ao avanço da resistência antimicrobiana. De acordo com especialistas, o uso frequente desses medicamentos pode favorecer o surgimento de bactérias resistentes, que podem se espalhar por meio dos animais, do ambiente e da cadeia de produção de alimentos, tornando infecções humanas mais difíceis de tratar.

Representantes do agronegócio brasileiro classificaram a decisão como uma medida protecionista, destacando que ela foi anunciada pouco depois da entrada em vigor do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia. Enquanto isso, Argentina, Paraguai e Uruguai permanecem autorizados a exportar carne para o mercado europeu.



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