*Por Marlon Botão, ex-secretário de Cultura de São Luís, marqueteiro e militante político há mais de 40 anos
A desistência de Lahésio Bonfim da disputa pelo Governo do Maranhão não é um fato isolado. É um sinal político. E o sinal está dado: a turma de Bolsonaro começou a se organizar no estado com um objetivo central, que vai muito além da eleição estadual. O alvo principal é Lula.

A movimentação aproxima Eduardo Braide, Lahésio Bonfim e o bolsonarismo nacional, simbolizado pela presença política de Flávio Bolsonaro no estado. A direita bolsonarista entendeu que precisa se refazer no Maranhão e decidiu juntar suas principais peças para tentar reduzir a força do presidente Lula.
Não se trata apenas de uma composição local. Trata-se de uma estratégia nacional com endereço certo. O Maranhão sempre teve papel decisivo na sustentação política de Lula no Nordeste. Em uma eleição presidencial polarizada, cada ponto percentual importa. Por isso, o bolsonarismo sabe que tentar enfraquecer Lula no Maranhão é parte fundamental do seu projeto de voltar ao poder.
A movimentação de Lahésio, portanto, precisa ser lida nesse contexto. Ao sair da disputa pelo governo e se colocar na disputa pelo Senado, ele ajuda a reorganizar o campo da direita. Abre caminho para uma concentração maior em torno de Braide na eleição estadual e, ao mesmo tempo, mantém uma candidatura competitiva ao Senado dentro do mesmo campo político.
É a turma do Bolsonaro se juntando no Maranhão.
Diante disso, o campo progressista precisa agir com maturidade. O momento exige menos vaidade, menos guerra interna e mais responsabilidade histórica. PT, MDB e todas as forças que se dizem comprometidas com Lula precisam entender que a prioridade maior é garantir ao presidente uma votação expressiva no Maranhão, acima de 80%, como o estado já demonstrou ter força política para entregar.
Cada candidatura tem o direito de fazer sua campanha. Se PT e MDB seguem com projetos próprios, que façam a disputa. Mas que façam de forma civilizada, estratégica e sem transformar aliados nacionais em inimigos locais. A eleição estadual não pode ser conduzida como uma guerra fratricida capaz de destruir pontes que serão indispensáveis no segundo turno.
Porque o segundo turno virá. E, quando ele chegar, quem for Lula de verdade terá que se juntar. Não por conveniência, mas por compromisso político com o Brasil e com o Maranhão.
Nesse ponto, Orleans Brandão tem demonstrado que entendeu o tamanho da responsabilidade. Mesmo diante das tentativas de afastá-lo do presidente Lula, ele tem mantido firme a defesa da parceria com o governo federal. Tem mostrado a importância de Lula para os avanços do Maranhão e tem feito a propagação dessa aliança sem transformar a disputa local em ataque rasteiro contra outros atores do campo progressista.
Orleans teria muitos motivos para responder a acusações infundadas. Poderia entrar na lógica da agressão permanente, da intriga pequena e da disputa miúda. Mas tem preferido sustentar uma linha política mais ampla: defender Lula, defender a continuidade dos avanços no Maranhão e apresentar um caminho de estabilidade para o estado.
Essa postura importa. Porque a direita já escolheu seu lado e sua estratégia. Braide, Lahésio e o bolsonarismo representam hoje a tentativa mais clara de organizar no Maranhão um palanque contra Lula. Não adianta fingir que essa movimentação é apenas estadual. Não é. O que está em jogo é também a eleição presidencial.
Depois da derrota nacional, o bolsonarismo tenta se refazer politicamente. E sabe que o Maranhão é peça importante nesse esforço. Por isso, a reorganização da direita no estado precisa ser vista com seriedade por todos aqueles que dizem defender Lula.
Chegou a hora de separar discurso de prática. Quem é Lula no Maranhão precisa agir como Lula. Precisa defender o presidente, preservar o campo democrático, evitar ataques irresponsáveis e compreender que a disputa estadual não pode servir de instrumento para enfraquecer o projeto nacional.
A turma de Bolsonaro já se juntou. Já deu o recado. Já mostrou que tentará usar o Maranhão como território de disputa contra Lula.
Agora, cabe ao campo progressista responder à altura. Com estratégia, com unidade no momento certo e com a clareza de que a prioridade maior não é alimentar vaidades locais, mas garantir que Lula tenha no Maranhão a votação que precisa para vencer o bolsonarismo mais uma vez.
O jogo está dado.
E, daqui para frente, chegou a hora de mostrar quem é Lula e quem não é no Maranhão.
