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Por Marlon Botão, ex-secretário de Cultura de São Luís, marqueteiro e militante político há mais de 40 anos

Braide se aproxima de Fufuca para ganhar estrutura política e usar entregas do governo Lula, enquanto deixa antigos aliados em segundo plano e tenta preservar sua base bolsonarista.

Fufuca e Braide

Eduardo Braide aceitou André Fufuca porque viu nele utilidade imediata: estrutura política no interior, acesso a prefeitos e vereadores e a chance de circular pelo Maranhão sobre obras viabilizadas pelo governo Lula sem precisar reconhecer Lula. E desprezou antigos aliados porque, para Braide, lealdade só vale enquanto serve ao próprio projeto.

Essa é a chave para entender o movimento.

Braide passou anos tentando vender a imagem de que fazia política diretamente com o povo, como se não dependesse da classe política tradicional. Mas, quando a disputa estadual começou a exigir capilaridade, palanque e base no interior, ele fez exatamente aquilo que dizia não precisar fazer: foi atrás de um político com trânsito entre prefeitos, vereadores e lideranças municipais.

Fufuca oferece a Braide aquilo que ele não tem fora de São Luís: estrutura política. E oferece também algo ainda mais valioso neste momento: a possibilidade de Braide se aproximar de entregas viabilizadas pelo governo federal, especialmente na área do esporte, sem assumir publicamente o peso político do presidente Lula nessas ações.

As Areninhas são o exemplo mais evidente. Fufuca, quando esteve no Ministério do Esporte, participou da entrega de equipamentos viabilizados pelo governo Lula. Agora, ao lado de Braide, aparece falando de obras e ações feitas no Maranhão e em São Luís, mas sem dar nome ao principal responsável: o presidente Lula.

Fala-se da obra, mostra-se a estrutura, grava-se vídeo, posa-se para foto, mas evita-se dizer quem financiou. Evita-se dizer que a origem está no governo federal. Evita-se dizer que, sem Lula, muitas dessas entregas simplesmente não existiriam.

Fufuca, lulista por ocasião enquanto ocupou o ministério, agora parece sofrer de amnésia política ao lado de Braide: fala das entregas, mas evita pronunciar o nome de Lula. É uma combinação conveniente para os dois. Um tenta reaproveitar o capital político do que entregou no governo federal. O outro tenta se beneficiar dessas entregas sem se comprometer com o presidente que as tornou possíveis.

Esse é o jogo. Braide quer o bônus das obras de Lula sem assumir Lula. Quer usar Fufuca para se aproximar de ações federais, mas sem romper com sua base bolsonarista. Quer colher onde não plantou e continuar fingindo que não tem lado.

Mas tem.

Braide nunca deixou de estar próximo da linha política do bolsonarismo. Apenas tenta esconder isso quando percebe que o eleitor maranhense reconhece a importância de Lula para o estado. Obcecado por pesquisas, Braide sabe que Lula é forte demais no Maranhão para ser ignorado. Por isso, tenta se aproximar das entregas do governo federal sem assumir o presidente diante de sua base bolsonarista.

É uma tentativa de enganar o povo: usar as realizações de Lula, apagar o nome de Lula e manter, nos bastidores, a sintonia com quem passou quatro anos tratando o Maranhão e o Nordeste com desprezo.

A escolha por Fufuca também revela o outro lado da política de Braide: o desprezo por antigos aliados e por outros pré-candidatos ao Senado.

Se gratidão política tivesse algum peso real em suas decisões, Dr. Hilton Gonçalo deveria ter sido tratado como prioridade. A família Gonçalo ajudou Braide quando ele mais precisou, principalmente na primeira eleição. Esteve com ele quando muita gente ainda duvidava de sua força. Mas, para Braide, aliado só vale enquanto serve ao cálculo do momento.

Dr. Hilton foi deixado em segundo plano porque Braide não escolhe por história, lealdade ou coerência. Escolhe por conveniência. Hoje, Fufuca serve melhor ao projeto. Tem mandato, tem grupo, tem ligação com prefeitos e vereadores, tem circulação no interior e ainda carrega no currículo a passagem pelo Ministério do Esporte no governo Lula.

É por isso que Braide aceitou Fufuca e desprezou antigos aliados. Não por projeto, não por compromisso com o Maranhão, não por respeito a quem caminhou ao seu lado. Aceitou porque Fufuca é útil. Desprezou porque, na lógica de Braide, quem deixa de ser útil pode ser descartado.

Na política, Braide vai se mostrando terra de cemitério. Não reconhece quem ajudou, não preserva quem caminhou junto e não demonstra gratidão por quem esteve ao seu lado quando ele precisou. Só enxerga aquilo que interessa ao próprio projeto pessoal.

Essa lógica também explica o tratamento dado a outros nomes. Lahésio Bonfim fica em compasso de espera. Simplício Araújo faz propaganda diária tentando encontrar uma brecha para ressuscitar politicamente. Outros pré-candidatos ao Senado são empurrados para a lateral do jogo. Braide vai decidindo quem aproveita, quem deixa de lado e quem usa apenas quando for conveniente.

O problema é que essa movimentação desmonta o próprio discurso que Braide construiu sobre si. Se sua força fosse mesmo apenas o povo, por que precisaria de Fufuca? Se sua relação fosse direta com a população, por que correr atrás de alguém capaz de aproximá-lo de prefeitos, vereadores e bases municipais?

A resposta é simples: porque Braide sabe que não se vence eleição estadual apenas com marketing de capital. Precisa de estrutura, precisa de palanque, precisa de classe política. Exatamente a classe política que ele fingiu desprezar enquanto isso lhe rendia dividendos eleitorais.

Mas o ponto mais grave é a tentativa de apagar Lula dessa história.

O Brasil viveu quatro anos de sofrimento sob Bolsonaro. A população pobre foi esquecida, as políticas públicas foram desmontadas e a União deixou de cumprir o papel que deveria cumprir na vida de quem mais precisa. No Maranhão, esse abandono foi ainda mais sentido, porque é justamente a população pobre que depende da presença do governo federal para garantir comida, moradia, infraestrutura, saúde, educação e oportunidades.

Defender a continuidade de Lula não é apenas uma escolha partidária. É uma necessidade civilizatória para o Brasil e para o Maranhão, depois de quatro anos de abandono, sofrimento e desprezo pela população pobre.

Com Lula, o Maranhão voltou a ser tratado como prioridade. Voltaram os investimentos, os programas sociais, as obras estruturantes e a visão de que o governo existe para reduzir desigualdades. Essa é a diferença de concepção. Lula governa olhando para quem mais precisa. Braide faz política olhando para o próprio cálculo eleitoral.

Por isso, o debate precisa sair da propaganda. Que os bolsonaristas de plantão mostrem uma grande obra de infraestrutura feita por Bolsonaro no Maranhão. Que mostrem uma obra de macrodrenagem, uma intervenção estruturante, uma política pública capaz de se comparar ao que Lula fez e continua fazendo por São Luís e pelo estado.

Não vale discurso. Não vale vídeo bem produzido. Vale obra, recurso, presença e resultado concreto na vida do povo.

É esse contraste que Braide tenta esconder. Enquanto Lula representa uma concepção de governo voltada para a população mais pobre, Braide administra São Luís com lógica de vitrine, marketing e autopromoção. O desafio está posto: que o prefeito mostre onde, de fato, priorizou a população mais pobre da capital. Que mostre qual foi a grande marca de sua gestão para permitir que ricos e pobres tenham as mesmas oportunidades de viver a cidade.

Não basta pintar meio-fio, fazer propaganda e tentar se vender como gestor eficiente. Cidade justa se constrói com prioridade social, infraestrutura nas áreas mais vulneráveis, mobilidade, saneamento, drenagem, saúde, educação e presença real do poder público onde a desigualdade mais pesa.

É por isso que este artigo não é sobre uma simples aliança eleitoral. É sobre concepção política.

De um lado, está o projeto que entende o papel do governo federal na vida da população pobre, que investe, estrutura políticas públicas e faz o Maranhão avançar. Do outro, está o projeto que tenta se apropriar dessas entregas, esconder sua origem, manter um pé no bolsonarismo e descartar aliados conforme a conveniência.

Braide pode tentar posar ao lado das obras. Pode tentar apagar o nome de Lula. Pode tentar vender como seu aquilo que nasceu de decisão do governo federal. Pode trocar antigos aliados por novos instrumentos de ocasião.

Mas o Maranhão não pode ser enganado.

Braide aceitou Fufuca porque Fufuca serve ao seu cálculo. Desprezou antigos aliados porque gratidão, para ele, pesa menos que conveniência. E tenta apagar Lula das entregas federais porque sabe que o presidente é forte no Maranhão, mas não tem coragem de assumir isso diante da base bolsonarista que o acompanha.

Quem fez pelo povo pobre tem nome. Quem recolocou o Maranhão no mapa dos investimentos tem nome. Quem tratou o Nordeste com respeito tem nome.

E esse nome é Lula. ‎



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