A estratégia do PL de ampliar sua presença no Nordeste para fortalecer a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro encontra obstáculos significativos no Maranhão.
Segundo a cientista política Ananda Marques, o partido ainda não dispõe de um palanque forte no estado capaz de impulsionar a campanha do pré-candidato bolsonarista à Presidência da República.

O Maranhão está entre os estados nordestinos onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva obteve suas maiores votações na eleição de 2022.
No estado, Lula recebeu 71,14% dos votos válidos no segundo turno, desempenho que reforça a predominância política do campo petista e torna mais difícil a expansão eleitoral do bolsonarismo.
De acordo com Ananda Marques, a ausência de lideranças estaduais com grande capacidade de mobilização em favor de Flávio Bolsonaro limita o potencial de crescimento do PL no Maranhão durante a disputa presidencial.
“A gente não tem um palanque forte para a candidatura bolsonarista no estado”, avalia a cientista política.
Apesar das dificuldades na corrida presidencial, o cenário é diferente quando se analisam as eleições proporcionais. Segundo a pesquisadora, partidos identificados com a direita e o campo conservador costumam registrar desempenho mais consistente na disputa por vagas na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados.
“No Legislativo, a gente tem um histórico no Maranhão de deputados federais e estaduais de partidos mais à direita”, explica.
A avaliação dos especialistas sobre o Maranhão acompanha um diagnóstico mais amplo em relação ao Nordeste. Embora o PL tenha avançado na construção de alianças em diversos estados da região, cientistas políticos afirmam que muitas dessas articulações não se traduzem necessariamente em engajamento efetivo das lideranças locais na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.
Segundo os analistas, o custo político de uma associação direta ao bolsonarismo em estados onde Lula mantém forte popularidade faz com que muitos aliados priorizem disputas locais e proporcionais, evitando transformar suas campanhas em plataformas de promoção do candidato presidencial do PL.
A mais recente pesquisa Quaest, divulgada em junho, mostra que o Nordeste continua sendo a região de maior vantagem eleitoral para Lula. No primeiro turno, o presidente aparece com 54% das intenções de voto na região, enquanto Flávio Bolsonaro registra 25%. Em um eventual segundo turno, Lula alcança 61%, contra 27% do senador.
Nesse contexto, o Maranhão permanece como um dos maiores desafios para a estratégia do PL de ampliar sua presença eleitoral no Nordeste.
Embora o partido busque fortalecer sua estrutura e ampliar sua representação legislativa, especialistas avaliam que ainda faltam lideranças estaduais capazes de transformar a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro em uma força competitiva no estado.
