O Maranhão e a capital São Luís permanecem em situação de alerta para a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), segundo a mais recente edição do Boletim InfoGripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A análise corresponde à Semana Epidemiológica 22, entre os dias 31 de maio e 6 de junho de 2026.

De acordo com o levantamento, o Maranhão está entre as 16 unidades federativas que apresentam sinais de interrupção do crescimento ou queda dos casos de SRAG na tendência de longo prazo. Apesar disso, o estado continua registrando incidência da doença em níveis considerados de alerta, risco ou alto risco.
Situação semelhante é observada em São Luís. A capital maranhense também aparece entre as cidades brasileiras com incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, embora sem sinais de crescimento na tendência de longo prazo.
O InfoGripe destaca que, em diversas regiões do país, o aumento das hospitalizações continua sendo impulsionado principalmente pelo vírus sincicial respiratório (VSR), além da influenza A e, em algumas localidades, da influenza B. No Maranhão, os casos de SRAG associados ao VSR seguem em patamares elevados, mesmo diante dos indícios de estabilização ou redução observados nas últimas semanas.
Segundo a Fiocruz, a maior parte do aumento dos casos graves nas capitais brasileiras tem ocorrido entre crianças pequenas, especialmente menores de 2 anos, além de crianças e adolescentes de até 14 anos. Os dados nacionais indicam que o VSR permanece como o principal responsável pelo crescimento das internações por SRAG entre crianças de até 4 anos.
Nas últimas quatro semanas epidemiológicas, o VSR respondeu por 49,6% dos casos positivos de vírus respiratórios identificados entre pacientes com SRAG. A influenza A representou 20,7% dos registros positivos, seguida pelo rinovírus, com 24,5%, influenza B, com 5,7%, e Sars-CoV-2, responsável por 2% dos casos.
Os dados também mostram que a influenza A tem apresentado maior impacto entre jovens, adultos e idosos, enquanto a influenza B vem registrando aumento especialmente nas faixas etárias de 5 a 14 anos e de 15 a 49 anos.
Em todo o país, já foram notificados 82.544 casos de SRAG em 2026. Deste total, 40.259 tiveram confirmação laboratorial para algum vírus respiratório. No mesmo período, foram registrados 3.591 óbitos por SRAG.
Entre os óbitos com resultado positivo para vírus respiratórios nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a influenza A respondeu por 46,5% dos casos, seguida pelo rinovírus (18,4%), vírus sincicial respiratório (17%), influenza B (9,9%) e Sars-CoV-2 (6,8%).
Diante do cenário, a pesquisadora Tatiana Portella, do Programa de Computação Científica da Fiocruz e integrante do InfoGripe, reforça a importância das medidas de prevenção. Entre as recomendações estão a higienização frequente das mãos, o uso de máscaras em unidades de saúde e ambientes fechados ou com pouca circulação de ar, além do isolamento em caso de sintomas gripais.
A especialista também destaca a importância da vacinação contra a influenza e contra o vírus sincicial respiratório para os grupos prioritários e elegíveis, como forma de reduzir o risco de agravamento da doença, hospitalizações e mortes.
O Boletim InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao monitoramento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave em todo o país, auxiliando autoridades sanitárias na identificação de áreas prioritárias para ações de prevenção e resposta em saúde pública.
