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A inflação oficial do Brasil voltou a acelerar no acumulado de 12 meses e permaneceu acima do limite de tolerância da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Dados divulgados nesta sexta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,58% em maio.

Embora o resultado represente desaceleração em relação aos 0,67% observados em abril, a inflação acumulada em 12 meses avançou de 4,39% para 4,72%, superando o teto de 4,5% previsto no sistema de metas. No acumulado de 2026, o IPCA soma alta de 3,20%. Em maio do ano passado, a inflação havia sido de 0,26%.

Desde 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, o que significa que o desempenho é monitorado mês a mês com base no acumulado de 12 meses. Para 2026, a meta central é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

O principal responsável pela alta dos preços em maio foi o grupo Alimentação e bebidas, que registrou avanço de 1,33% e respondeu sozinho por 0,29 ponto percentual do índice geral.

Segundo o IBGE, os alimentos consumidos dentro de casa ficaram, em média, 1,65% mais caros no período, registrando a maior alta para um mês de maio desde 2008, quando a elevação havia sido de 2,27%.

Entre os produtos que mais subiram estão a batata-inglesa, com alta de 44,69%, seguida pelo tomate, que avançou 20,62%, pela cebola, com aumento de 16,80%, e pelas carnes, que ficaram 1,39% mais caras.

De acordo com o gerente do IPCA, José Fernando Gonçalves, a menor oferta de alguns produtos agrícolas e o aumento dos custos de transporte contribuíram para o avanço dos preços.

Por outro lado, alguns itens registraram queda. O café moído ficou 2,38% mais barato, enquanto as frutas apresentaram recuo médio de 0,70%.

A alimentação fora do domicílio também teve aumento, embora em ritmo menor. Os preços avançaram 0,49% em maio, refletindo reajustes em refeições e lanches, mas com desaceleração em relação ao mês anterior.

Outro grupo que exerceu forte influência sobre a inflação foi Habitação, que registrou alta de 1,22% e impacto de 0,18 ponto percentual no IPCA. O principal destaque foi a energia elétrica residencial, que subiu 3,67% e representou a maior contribuição individual para o índice do mês.

Segundo o IBGE, o resultado reflete reajustes tarifários em diversas capitais brasileiras, incluindo Aracaju, Fortaleza, Salvador, Campo Grande, Recife e Belo Horizonte. Também contribuiu para a alta a adoção da bandeira tarifária amarela em maio, que acrescenta cobrança extra de R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora consumidos.

O grupo Saúde e cuidados pessoais também apresentou forte avanço, com alta de 0,90% e contribuição de 0,12 ponto percentual para a inflação do mês. Os artigos de higiene pessoal ficaram 1,95% mais caros, com destaque para os perfumes, que registraram aumento de 4,42%. Os planos de saúde também tiveram reajuste médio de 0,50%.

Entre os nove grupos pesquisados pelo IBGE, apenas Transportes apresentou deflação em maio. O setor registrou queda de 0,46%, impulsionado principalmente pela redução de 1,95% nos preços dos combustíveis.

Os principais recuos foram observados no etanol, que caiu 6,20%, no óleo diesel, com baixa de 2,34%, e na gasolina, que ficou 1,46% mais barata. Em sentido contrário, o gás veicular registrou aumento de 5,81%.

Apesar da redução dos combustíveis, alguns serviços de transporte ficaram mais caros. As passagens aéreas subiram 3,20% após queda expressiva em abril.

Além disso, reajustes tarifários e alterações em políticas de gratuidade influenciaram os preços de ônibus urbanos, metrôs e ônibus intermunicipais em algumas cidades.

O resultado acima das expectativas do mercado reforçou as preocupações de economistas com a persistência da inflação e seus impactos sobre a política monetária.

Na última reunião, realizada em abril, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, levando a Selic de 14,75% para 14,50% ao ano. A decisão ocorreu em um contexto de pressões inflacionárias globais associadas à guerra no Oriente Médio e aos desafios da economia doméstica.

Para Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, fatores como o mercado de trabalho aquecido, a atividade econômica resiliente, a alta dos preços de alimentos e energia e os riscos climáticos continuam sustentando a inflação em níveis elevados.

Segundo ele, esse cenário reduz o espaço para novos cortes de juros nos próximos meses e pode levar o Banco Central a ter de justificar formalmente o descumprimento da meta de inflação caso o índice permaneça acima do teto estabelecido.

Já Carlos Lopes, economista do Banco BV, afirmou que o resultado consolida um quadro desfavorável para a inflação brasileira. De acordo com ele, além dos impactos externos, a demanda interna aquecida, os custos de produção e os problemas de oferta seguem pressionando os preços.

Na avaliação do especialista, o cenário mantém indefinidos os próximos passos da autoridade monetária. Embora ainda exista a possibilidade de uma nova redução de 0,25 ponto percentual na Selic, uma pausa imediata no ciclo de cortes também é considerada plausível diante das dificuldades para controlar a inflação.



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