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A corrida eleitoral ao governo do Maranhão ganha contornos de alta estratégia política. Em artigo de opinião contundente, o professor João Melo e Sousa Bentivi analisa o cenário atual do pleito, que ele classifica como “o mais federalizado da história” devido à forte judicialização no Supremo Tribunal Federal (STF).

Centrando sua análise na disputa entre Orleans Brandão e Eduardo Braide, Bentivi destaca a provável indicação de Edivaldo Holanda Júnior como candidato a vice-governador na chapa de Orleans.

Para o profissional, a escolha do ex-prefeito de São Luís não é mera casualidade, mas sim um movimento estratégico cirúrgico para rivalizar com a força de Braide na capital. Leia na íntegra:

SERIA UM GOLPE DE MESTRE

(*) Prof. Doutor João Melo e Sousa Bentivi

O pleito do Maranhão está atípico e interessante e já é, de cara, o mais federalizado da história. Basta ver quantas questões absolutamente políticas do Maranhão estão judicializadas exclusivamente no STF, e isso jamais seria realmente justiça ou mera casualidade. Nada tenho a ver com isso! Tenho juízo! Tô fora! Quem pariu Mateus que o embale!

Olho para a disputa ao governo do Estado: de fato, temos somente dois candidatos. Um deles nunca vi pessoalmente, Orleans Brandão; o outro conheço muito e muito bem, Eduardo Braide. Nessa matéria que agora escrevo, não me proponho a dar opinião sobre nenhum deles; quem sabe ainda o farei e, se o fizesse, muito teria a falar.

O meu foco é o político Edivaldo Holanda Júnior, segundo informações, provável vice do senhor Orleans Brandão.

Por minha amizade mais cinquentenária com o seu pai, posso dizer que conheço Edivaldo Júnior antes do nascimento e poderia mesmo descrever a sua trajetória, do mesmo modo que poderia fazer com a história do ex-prefeito Eduardo Braide. O foco, porém, é Holanda Júnior.

A eleição nasceu polarizada e com um personagem vítima de crueldade: o vice-governador Felipe Camarão, que, em algum lugar, ouviu e acreditou que seria ungido governador. Promessa falaciosa e, como é um cidadão correto, seguiu obedecendo como um cordeiro para o sacrifício da vaidade doutrinária. Uma pena! Deve estar odiando o samba dos Originais do Samba, “Tragédia no Fundo do Mar”.

Com o apoio maciço de São Luís, Braide já nasce como um candidato competitivo e está tão consciente da sua força na ilha que desdenha, olhando de soslaio para a classe política da capital e, nesse quesito, caso fosse escrever, escreveria, no mínimo, uma dissertação.

O raciocínio é de uma lógica cartesiana: se São Luís é a pedra angular de Braide, também é a fontanela vulnerável de Orleans. Então, por definição, casualidade ou qualquer outra coisa, o governador Brandão, mestre na pacificação e no consenso, fez uma jogada de mestre ao lançar o convite de vice a Holanda Júnior. Jogada de mestre, repito!

Prefeito duas vezes, ele já carrega a experiência de ter enfrentado o Eduardo Braide. Não tenho nenhuma condição de avaliar o seu atual potencial eleitoral, mas alguns fatos são relevantes, senão vejamos.

O quesito ser ou não cristão é indelével: nasceu com a Bíblia na mão. No quesito honestidade e probidade, ganha nota dez, com louvor: nem em mesa de bar se põe em dúvida a sua honorabilidade. Na performance conservadora de um bom pai de família, tenho a santa impressão de aprovação com medalha de honra ao mérito e, para quem assume o espectro da direita, nem Satanás chamaria Holanda de esquerdista.

O cargo em epígrafe é a vice-governadoria, e a pergunta que se faz é: qual a principal qualidade para ser um vice ideal? Essa resposta daria uma tese, e eu respondo de maneira prática, por alguns exemplos de quem pode ser um bom vice: Antônio Dino, João Alberto de Sousa e Carlos Brandão. Um vice ideal deve, em primeiro lugar, não ser empecilho nem adversário do titular. Parece ser o perfil de Holanda Júnior.

Só por questão de justiça, caso alguém queira fazer um artigo científico sobre um vice perfeito, escreva a história e as dificuldades de Carlos Brandão!

Mas voltando a uma pergunta não respondida: quantos votos Holanda Júnior acrescentaria ao candidato Orleans Brandão? Não sei. Mas posso aventar um indicador. Quando você olhar um político em outras campanhas, após as primeiras, conte quantos aliados estão ao seu lado desde o início.

Os maus políticos, à medida que caminham, vão deixando feridos e abandonados, de todas as cores. Conheço muitos desse jaez, e são tantos que estou pensando em fazer um documentário sobre os “traíras” do Maranhão! Uma bomba!!!

Holanda Júnior não tem abandonados em sua história, congregará, em sua caminhada, a totalidade do seu antigo exército e, mais ainda, será difícil encontrar, em São Luís, alguém que tenha ódio ou restrição ao seu nome. Vai ou não vencer? Não sei!

Para terminar, relembro aos leitores e amigos que tenho um apoio pessoal para deputado estadual: o meu amigo, médico doutor Sebastião Madeira. E decore esse grito de vitória: MADEIRA NELES!

Tenho dito!

(*) Médico otorrinolaringologista, legista, jornalista, advogado, professor universitário, músico, poeta, escritor, pesquisador, Mestre em Meio Ambiente (Universidade CEUMA) e Doutor em Administração, pela Universidade Fernando Pessoa, Porto, Portugal.



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