Um diagnóstico divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) revelou que os jovens brasileiros estão ingressando cada vez mais cedo no mercado de trabalho, porém ainda enfrentam obstáculos para manter uma trajetória profissional estável.

O estudo mostra que, embora a maioria esteja ocupada ou estudando, milhões de adolescentes e jovens permanecem fora da escola e do mercado de trabalho. O levantamento, elaborado a partir de dados do IBGE/PNAD Contínua, da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e do eSocial, aponta que o Brasil possui 32,9 milhões de pessoas entre 14 e 24 anos.
Deste total, 13,9 milhões estão trabalhando, enquanto 12,8 milhões dedicam-se exclusivamente aos estudos. Outros 4,3 milhões conseguem conciliar emprego e educação. Apesar desses números, cerca de 6,2 milhões de jovens integram o grupo conhecido como “nem-nem”, formado por pessoas que não estudam nem exercem atividade profissional.
Esse contingente representa 18,7% da população nessa faixa etária e cresceu em relação ao fim de 2025, quando era de 5,5 milhões. Uma das prioridades é incentivar o retorno desses jovens ao ambiente escolar, conciliando os estudos com uma atividade remunerada quando necessário.
Escolaridade e desemprego
O estudo também mostra que a juventude brasileira alcançou níveis recordes de escolarização. Atualmente, 73% dos jovens possuem pelo menos o ensino médio completo. Além disso, aproximadamente 2,3 milhões frequentam cursos de ensino superior e outros 944 mil já concluíram a graduação.
De acordo com o Ministério do Trabalho, o diploma tornou-se um requisito básico para o ingresso no mercado formal, mas ainda é necessário criar oportunidades para que os jovens consigam transformar essa qualificação em empregos estáveis, bem remunerados e compatíveis com sua formação.
Mesmo com a redução da taxa de desemprego em relação aos últimos anos, os jovens continuam sendo o grupo mais afetado pela falta de oportunidades.
Entre adolescentes de 14 a 17 anos, a taxa de desocupação chegou a 25,1% no primeiro trimestre de 2026. Já entre aqueles de 18 a 24 anos, o índice foi de 13,8%, mais que o dobro da média nacional, que ficou em 5,8%.
Segundo o MTE, os indicadores mostram uma melhora significativa desde o pico registrado em 2021, mas ainda existe espaço para ampliar a inserção dos jovens no mercado de trabalho.
A pesquisa aponta que a formalização vem crescendo entre a juventude. Dos jovens ocupados, 57,8% possuem carteira assinada, totalizando cerca de 8 milhões de vínculos formais registrados em 2025.
A ideia de que os jovens não desejam empregos com carteira assinada não corresponde à realidade. Segundo ela, muitos buscam ambientes mais flexíveis, que permitam conciliar trabalho, estudos e outras necessidades da vida cotidiana.
Comércio e serviços concentram as vagas
Grande parte dos jovens empregados atua em funções de baixa qualificação, principalmente nos setores de comércio e serviços. Entre as ocupações mais frequentes estão:
- Balconistas e vendedores: 1,24 milhão de trabalhadores;
- Escriturários gerais: 1,07 milhão;
- Auxiliares da construção civil: 394 mil;
- Recepcionistas: 391 mil;
- Operadores de caixa: 367 mil.
Ao todo, 59% dos jovens empregados estão concentrados nas 20 principais ocupações identificadas pelo estudo, sendo que um em cada cinco trabalha nas áreas de vendas ou escrituração.
O levantamento mostra que conquistar o primeiro emprego já não é o único obstáculo enfrentado pelos jovens. Permanecer na mesma função passou a ser um dos maiores desafios.
Entre adolescentes de 14 a 17 anos, 52% deixam o emprego antes de completar um ano na mesma empresa. Já na faixa de 18 a 24 anos, 38,2% permanecem menos de 12 meses no trabalho.
Segundo o Ministério do Trabalho, a alta rotatividade está relacionada a fatores como baixos salários, contratos temporários, busca por melhores oportunidades e dificuldades naturais do início da vida profissional. Muitos jovens ainda estão conhecendo o ambiente de trabalho e aprendendo as exigências das funções que exercem.
O diagnóstico conclui que os jovens brasileiros estão mais preparados do ponto de vista educacional e conseguem ingressar com maior facilidade no mercado de trabalho. No entanto, transformar essa entrada em uma carreira sólida continua sendo um desafio.
Para o Ministério do Trabalho, ampliar a oferta de empregos qualificados, com melhores salários e perspectivas de crescimento, é essencial para reduzir a rotatividade, estimular a permanência dos jovens nas empresas e fortalecer sua inserção profissional.
