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Os acidentes envolvendo motocicletas continuam entre as principais causas de internações e mortes no trânsito do Maranhão e têm provocado um aumento no número de pessoas que ficam com sequelas permanentes e incapacitantes. Dados do sistema Monitora Saúde Maranhão apontam que as ocorrências atingem principalmente homens entre 20 e 39 anos, faixa etária considerada economicamente ativa.

Foto Reprodução

Além do crescimento dos acidentes, especialistas alertam para o avanço dos casos de invalidez permanente entre os sobreviventes. Levantamento da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) mostra que cerca de um terço das vítimas de acidentes com motocicletas desenvolve sequelas definitivas, comprometendo a capacidade de trabalho e a qualidade de vida.

Entre os casos mais graves, os pacientes passam a conviver com deformidades físicas, limitações motoras e até amputações. De acordo com a pesquisa, 33,9% das vítimas atendidas em serviços de ortopedia apresentam algum grau de invalidez permanente. Entre aqueles que desenvolvem sequelas severas, 69,5% ficam com deformidades visíveis, 67,4% apresentam déficit motor e 35,8% necessitam de amputações.

O aumento dos acidentes tem sido associado à expansão do uso das motocicletas como instrumento de trabalho, especialmente nos serviços de transporte de passageiros, entregas e aplicativos. Longas jornadas, pressão por produtividade e exposição constante ao trânsito estão entre os fatores que elevam os riscos para os condutores.

Especialistas também apontam que o excesso de velocidade, as ultrapassagens perigosas, o uso do celular durante a condução e falhas na fiscalização contribuem diretamente para o aumento das ocorrências.

Além das consequências individuais, o crescimento dos acidentes gera forte impacto na saúde pública do Maranhão. O aumento das internações, dos procedimentos cirúrgicos e da necessidade de reabilitação sobrecarrega a rede hospitalar e amplia os custos do sistema público de saúde.

Os reflexos também atingem as famílias das vítimas, que muitas vezes precisam lidar com a perda da renda, os custos do tratamento e a necessidade de cuidados permanentes.

O cenário maranhense acompanha uma tendência observada em todo o país. Dados nacionais indicam que as mortes de motociclistas cresceram 38% entre 2019 e 2024, avanço relacionado à ampliação dos serviços de entrega e transporte por aplicativos, incluindo os mototáxis.

A gravidade do problema também aparece em outro indicador: em 71% dos municípios brasileiros, os sinistros de trânsito já provocam mais mortes do que os homicídios por armas de fogo.

Diante desse cenário, especialistas defendem o fortalecimento de políticas públicas de prevenção, educação no trânsito e fiscalização, além de ações voltadas à segurança dos motociclistas, na tentativa de reduzir os acidentes e seus impactos sociais, econômicos e humanos.



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