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Os preços da maior parte dos tipos de café vendidos no Brasil registraram queda em abril na comparação com o mesmo período do ano passado, impulsionados pela expectativa de crescimento da safra nacional.

Apesar do alívio para o consumidor em categorias populares, cafés descafeinados e especiais seguiram na direção oposta e apresentaram aumentos expressivos, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic).

Entre os produtos mais consumidos no país, o café tradicional e o extraforte tiveram recuo de 15,5% no preço médio do quilo, passando para R$ 55,34. O café superior ficou 12,6% mais barato, com valor médio de R$ 70,37 por quilo.

O café gourmet também apresentou redução, embora mais moderada, de 3,7%, sendo vendido em média por R$ 106,66 o quilo.

Outros segmentos acompanharam a tendência de queda. O café em cápsula registrou redução de 9,4%, com preço médio de R$ 364,16 por quilo, enquanto o drip coffee caiu 5,2%, chegando a R$ 238,38. Já o café solúvel manteve relativa estabilidade, com leve alta de 0,5%, alcançando R$ 224,99.

DESCAFEINADO E ESPECIAL

Na contramão do mercado, o café descafeinado ficou 21% mais caro em relação a abril do ano anterior. O preço médio do quilo alcançou R$ 114,93.

O café especial, considerado o segmento mais premium do setor, também apresentou forte valorização, com aumento de 16,8% e preço médio de R$ 161,26 por quilo.

Segundo o diretor-executivo da Abic, Celírio Inácio da Silva, o encarecimento do café descafeinado está ligado principalmente ao processo de produção, que ainda depende, em grande parte, de operações realizadas fora do Brasil.

De acordo com ele, a descafeinação é um procedimento complexo e muitas empresas brasileiras ainda enviam o produto ao exterior, principalmente à Suíça, para retirada da cafeína.

Silva destaca que o país ainda possui poucas empresas aptas a realizar a descafeinação em larga escala. Entre elas estão Cocam, Eisa e a DM Descafeinadores do Brasil, atualmente considerada a maior do setor no país.

Outro fator que influencia o preço é o mercado consumidor mais restrito desse tipo de produto. Embora o café em cápsula também tenha forte presença de itens importados, a ampliação do consumo ajudou a reduzir custos e preços.

PRODUÇÃO LIMITADA ENCARECE

No caso do café especial, os custos elevados começam ainda na produção agrícola.

Para que o produto alcance a pontuação exigida para ser classificado como especial, o produtor precisa investir mais recursos no cultivo, na colheita, no processamento e no controle de qualidade.

“Para obter um café com a pontuação necessária para ser classificado como ‘especial’, o produtor precisa gastar muito mais do que gastaria com o café comum. Essa diferença de custo no campo se reflete diretamente no preço final”, afirmou Silva.

Além disso, o café especial não é produzido em larga escala, o que impede a diluição dos custos operacionais, diferentemente do que ocorre com os cafés tradicionais.

Segundo a Abic, esse segmento representa apenas 1% do consumo total de café no Brasil.

“Por ser um mercado muito restrito e com uma diferença de preço considerável em relação ao café do dia a dia, ele ainda não atingiu um patamar de distribuição que permita a redução dos preços”, acrescentou o diretor.

A entidade afirma trabalhar em parceria com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) para ampliar a distribuição nacional desse tipo de café.

QUEDA VEM APÓS ANOS DE PRESSÃO

A redução observada em boa parte do mercado ocorre após um longo período de alta provocado por problemas climáticos que afetaram as lavouras brasileiras entre 2021 e 2024.

Secas severas, ondas de calor e geadas reduziram a produção e pressionaram fortemente os preços da matéria-prima.

Segundo a Abic, apenas em 2024 o preço do grão de café registrou aumento superior a 120%, movimento que acabou gerando repasses superiores a 73% aos consumidores ao longo de 2025.

O impacto no bolso alterou o comportamento do mercado. Entre janeiro e abril de 2025, o consumo de café caiu 5% em comparação com igual período de 2024.

Já nos quatro primeiros meses deste ano, a tendência começou a mudar. Segundo a entidade, o consumo voltou a crescer, com alta de 2,44%.

“A recuperação começou a se desenhar em setembro de 2025, quando a florada indicou uma boa produção para a safra seguinte”, explicou Silva.

Até o momento, segundo a associação, a safra de 2026 segue dentro das projeções, sem registro de eventos climáticos severos capazes de comprometer a produção.

Caso o clima continue favorável, a expectativa é de manutenção da queda gradual dos preços e de recuperação do consumo ao longo do ano.

Mesmo assim, a Abic avalia que os valores dificilmente retornarão aos níveis observados em 2020, antes da escalada provocada pelos problemas produtivos.

“Após quatro anos de dificuldades na produção, os estoques mundiais estão muito baixos e a disputa pelo produto aumentou devido ao crescimento do consumo global”, afirmou Silva.

Segundo ele, uma redução mais intensa dos preços dependeria de duas ou três safras consecutivas com desempenho excepcional, capazes de recompor os estoques internacionais.



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