A Polícia Civil do Maranhão investiga uma denúncia de violência contra uma jovem, de 19 anos, grávida de quase seis meses, que afirma ter sido agredida dentro do local de trabalho após ser acusada de furtar joias da então empregadora.
Segundo o relato da vítima, ela havia aceitado o emprego temporário como doméstica com o objetivo de juntar dinheiro para comprar o enxoval do bebê. O acordo previa cerca de um mês de serviço.
A jovem afirma que passou a ser acusada do desaparecimento de um anel e, em meio às suspeitas, teria sido atacada fisicamente pela ex-patroa e por um homem que ela diz não conhecer.
Ainda conforme a vítima, o objeto foi localizado cerca de uma hora depois dentro de um cesto de roupas sujas no banheiro da residência. Mesmo assim, ela diz que as agressões ocorreram antes da descoberta.
Após o episódio, a jovem procurou atendimento na Casa da Mulher Brasileira, onde registrou ocorrência e realizou exame de corpo de delito.
Imagens mostram marcas de violência pelo corpo, incluindo um ferimento na testa, que, segundo ela, foi causado por uma coronhada.

VERSÃO DA EX-PATROA
A mulher apontada como suspeita também registrou boletim de ocorrência, no qual relatou o desaparecimento de joias de uso pessoal. Segundo ela, apenas familiares e a funcionária haviam tido acesso à casa.
De acordo com o documento, a empregadora afirmou ter encontrado os objetos dentro da bolsa da doméstica e disse que acionou a polícia. Ainda segundo sua versão, a jovem teria fugido do condomínio antes da chegada da equipe policial.
A defesa da suspeita declarou, por meio de nota, que as acusações apresentadas são uma “distorção dos fatos” e informou que medidas legais estão sendo adotadas.
HISTÓRICO DE DENÚNCIAS
O caso é acompanhado pela 21ª Delegacia de Polícia Civil do Araçagi. Informações da investigação apontam que a suspeita já responde a mais de dez processos por situações semelhantes.
Um dos episódios ocorreu em 2024, quando uma babá foi acusada de furtar uma pulseira.
Na ocasião, a Justiça condenou a mulher a seis meses de prisão em regime aberto, pena posteriormente convertida em prestação de serviços comunitários, além do pagamento de R$ 4 mil por danos morais.
A ex-babá, identificada como Sandila Souza, também relatou ter sido acusada injustamente durante o período em que trabalhou na residência.
Segundo ela, os pagamentos eram feitos por meio de contas de terceiros e não diretamente pela empregadora. Ela afirma ainda que a indenização determinada pela Justiça não foi quitada.
A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil informou que está reunindo informações sobre os processos envolvendo a suspeita e acompanha o caso mais recente.
