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O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial do país, registrou alta de 0,62% em maio, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses chegou a 4,64%, permanecendo acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Apesar de o índice ter desacelerado em relação a abril, quando havia avançado 0,89%, o resultado ficou acima das expectativas do mercado financeiro. Economistas projetavam alta de 0,57% no mês e inflação acumulada de 4,59% em 12 meses. Em maio do ano passado, o IPCA-15 havia sido de 0,36%.

A meta central de inflação para 2026 é de 3%, com limite máximo de 4,5%. Desde o ano passado, o sistema de metas passou a funcionar em modelo contínuo, no qual o cumprimento da meta é acompanhado mensalmente com base no acumulado em 12 meses.

Entre os nove grupos pesquisados pelo IBGE, os maiores impactos vieram de alimentação e bebidas, habitação e saúde e cuidados pessoais.

O grupo alimentação e bebidas liderou a alta, com avanço de 1,38%. Em seguida aparecem habitação, com alta de 1,03%, e saúde e cuidados pessoais, que subiu 1,05%. Já o grupo transportes registrou queda de 0,33%, ajudando a conter uma pressão ainda maior sobre o índice.

Veja a variação dos grupos em maio:

  • Alimentação e bebidas: 1,38%
  • Habitação: 1,03%
  • Artigos de residência: 0,21%
  • Vestuário: 0,36%
  • Transportes: -0,33%
  • Saúde e cuidados pessoais: 1,05%
  • Despesas pessoais: 0,50%
  • Educação: 0,01%
  • Comunicação: 0,36%

Alimentos continuam pressionando inflação

O principal peso sobre a inflação voltou a ser o grupo alimentação e bebidas. Os alimentos consumidos dentro de casa subiram 1,73% em maio, ainda em ritmo elevado, apesar de leve desaceleração frente aos 1,77% registrados em abril.

Entre os produtos que mais encareceram no período estão:

  • Batata-inglesa: 26,29%
  • Tomate: 12,97%
  • Leite longa vida: 6,07%
  • Carnes: 1,98%

Por outro lado, alguns itens apresentaram queda e ajudaram a reduzir a pressão inflacionária:

  • Maçã: -2,32%
  • Café moído: -2,09%

Segundo Lucas Barbosa, economista da AZ Quest, a alta dos alimentos foi uma das principais surpresas do IPCA-15 de maio. De acordo com ele, a inflação do setor tem mostrado aumentos disseminados em diferentes categorias, especialmente em carnes, panificados, leite e hortifrúti.

O economista afirma que fatores climáticos e questões de oferta e demanda continuam influenciando os preços, principalmente de produtos in natura. No caso das carnes, o aumento das exportações para a China também contribui para a pressão no mercado interno.

Barbosa alerta ainda para riscos adicionais ao longo do segundo semestre devido aos efeitos climáticos associados ao El Niño.

Conta de luz eleva inflação da habitação

O grupo habitação acelerou em maio, impulsionado principalmente pela energia elétrica residencial, que subiu 2,16% e teve o maior impacto individual no índice do mês.

A alta foi influenciada pela volta da bandeira tarifária amarela, que adiciona cobrança extra nas contas de energia elétrica. Além disso, algumas capitais registraram reajustes específicos nas tarifas:

  • Fortaleza: 5,59%
  • Salvador: 4,78%
  • Recife: 3,86%

Reajuste de medicamentos pesa na saúde

O grupo saúde e cuidados pessoais avançou 1,05% em maio, pressionado pelos aumentos nos preços de medicamentos, produtos de higiene pessoal e planos de saúde.

Os destaques foram:

  • Produtos de higiene pessoal: 1,60%
  • Produtos farmacêuticos: 1,25%
  • Planos de saúde: 0,50%

No caso dos remédios, o aumento reflete o reajuste autorizado pelo governo, de até 3,81%, válido desde abril.

Queda dos combustíveis ajuda a aliviar inflação

Após forte alta em abril, os combustíveis registraram queda de 1,47% em maio, contribuindo para a desaceleração do grupo transportes.

Os principais recuos foram:

  • Etanol: -2,73%
  • Óleo diesel: -2,04%
  • Gasolina: -1,32%

Já o gás veicular apresentou alta de 2,12%.

A redução ocorre em meio às medidas adotadas pelo governo federal para conter os impactos da alta do petróleo no mercado internacional, provocada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio. Entre as ações estão subsídios temporários para diesel e gasolina e benefícios tributários para reduzir os preços ao consumidor.

Apesar disso, as passagens aéreas voltaram a subir em maio, com alta de 3,25%, após queda expressiva de 14,32% no mês anterior.



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