O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística apresentou um novo mapa-múndi que foge do padrão tradicional ao posicionar o Brasil no centro e inverter a orientação dos continentes. A iniciativa faz parte da publicação “Riqueza de Espécies 2025” e marca o início das comemorações pelos 90 anos do instituto.

O material tem como foco principal a biodiversidade global. Utilizando dados sobre a distribuição de espécies no planeta, o mapa destaca regiões com maior concentração de vida, como a Amazônia, e propõe uma nova forma de visualizar o mundo. A inversão do eixo Norte–Sul e a centralização do Brasil são escolhas intencionais, pensadas para estimular diferentes leituras geográficas e ambientais.
Do ponto de vista técnico, o mapa adota a projeção Equal Earth, que busca preservar as proporções reais das áreas continentais. Esse modelo contrasta com a tradicional projeção de Mercator, amplamente utilizada desde o século XVI, mas conhecida por distorcer o tamanho dos continentes — ampliando regiões próximas aos polos e reduzindo áreas tropicais, como África e América do Sul.
Segundo o IBGE, a proposta não é apenas técnica, mas também conceitual. Ao reposicionar o Brasil no centro do mapa, o instituto pretende ampliar o debate sobre biodiversidade e reforçar a importância das regiões tropicais no equilíbrio ambiental global. A iniciativa também dialoga com as discussões internacionais sobre preservação ambiental, especialmente em um período próximo a datas dedicadas à biodiversidade.
Apesar da proposta inovadora, a mudança reacende debates dentro e fora do órgão. Versões anteriores de mapas com características semelhantes já haviam gerado críticas, inclusive por parte de servidores ligados à Associação dos Servidores do IBGE. Na ocasião, o grupo questionou a adoção de representações consideradas não convencionais, argumentando que poderiam comprometer a padronização e a credibilidade técnica das publicações.
As discussões também se espalharam pelas redes sociais e pela comunidade acadêmica. Enquanto alguns especialistas defendem a atualização das formas de representação cartográfica, outros alertam para a importância de manter referências consolidadas que permitam comparações consistentes entre dados.
Além do lançamento institucional, o mapa “Riqueza de Espécies 2025” passou a ser disponibilizado em versões impressas e digitais, inclusive em mais de um idioma, ampliando seu alcance e inserindo o debate brasileiro no cenário internacional.
